A autocaravana na estrada por terras de sul de Espanha.

A autocaravana na estrada  por terras de sul de Espanha.
Cada partida é sempre uma aventura perante o que iremos encontrar.

Nesta viagem de autocaravana, partimos de Vila do Conde e paramos em Coruche, uma terra amiga de autocaravanistas, com uma Área de Serviço com excelentes apoios. Ao escolhermos o nosso percurso tivemos em conta a pandemia e o tempo quente de outono. Queríamos aproveitar o calor que ainda se fazia sentir na Península Ibérica. No ano anterior à pandemia, estivemos em Marrocos e pretendíamos repetir a viagem, mas dada as restrições na entrada e circulação naquele país, optamos por fazer o sul de Espanha.

Coruche é uma localidade que é sempre agradável parar.  As suas ruas e praças são muito bonitas. Podemos ver ao lado da praça de touros, uma escultura em bronze em homenagem aos forcados da localidade.  Era feita de metal com a fisionomia de cada forcado. A praça, que recentemente sofreu obras, apresenta estacionamentos agradáveis, inclusivé alguns de grandes dimensões. Defronte, no rio, fomos surpreendidos por uma agradável praia fluvial, muito bem cuidada, com um serviço de bar de apoio e uma rampa de acesso à água para embarcações.

Aproveitamos para fazer uma visita ao museu de Coruche. É sempre agradável conhecer a história de Coruche, desde tempos ancestrais. O apoio com os meios audiovisuais, torna a visita muito interessante. No edifício antigo dos correios está instalado o museu da  Tauromaquia. No interior estão expostos trajes, cartazes e noticias referentes a esta “aficcion” tauromática. Há um vídeo com a visão dos diferentes forcados na pega do touro. Muito interessante.

Memorial à tauromaquia na frente da Praça de Touro

Quem vai a Coruche não deve deixar de visitar a igreja de Nossa Senhora do Castelo. A igreja situa-se na encosta do monte sobranceiro à vila, onde outrora existiu um castelo que foi cenário de muitas batalhas entre cristãos e muçulmanos. Segundo consta a igreja foi mandada construir por D. Afonso Henriques e no seu interior tem um retrato seu. A igreja é muito simples, comprida e estreita, com uma só nave.  Defronte à igreja, existe um miradouro, onde se desfruta de uma vista panorâmica sobre a vila e o rio Sorraia e os campos de arrozais.

Ao descermos a caminho da Área de Serviço, reparamos num cafézito, defronte ao mercado, que oferecia refeições económicas. Dada a oferta no menu, aproveitamos para almoçar. Cada diária rondava os 6 a 7 €.

SERPA

Parque de campismo de Serpa

No dia seguinte seguimos para Serpa. Paramos no parque de campismo que estava em obras de beneficiação. É um espaço muito agradável servido com quartos de banho, tanques de roupa, bancas de louça num edifício coberto, churrasqueira e mesas de piquenique. Os lugares de estacionamento para autocaravanas, pavimentados, estão bem marcadas, com muitas sombras e uma ótima área de despejos. Cada alvéolo é servido por pontos de luz . O preço para uma AC e duas pessoas é de 10 € e 2,5€ de eletricidade.

N 37º 56´ 28´´  W 7º 36´ 14´´

Muralhas de Serpa

Serpa, cidade alentejana, conquistada por Afonso Henriques em 1166, localizada perto da fronteira, foi muitas vezes palco de confrontos com Espanha. Durante a restauração foi destruída, incluindo a sua fortaleza. É rodeada por umas muralhas, mandadas erguer por D. Dinis com diversas portas de entrada. As ruas intramuros são estreitas, com casas baixas e caiadas de janelas pequenas, típico do Alentejo. Como património tem a torre do Relógio, a igreja matriz que estava em obras e não sendo possível visitar, o castelo, o museu do relógio, o museu etnográfico (estava encerrado para obras) e o museu do Cante Alentejano. A cidade é muito asseada, com lojinhas de artesanato e  queijo.

O castelo foi mandado reconstruir por D. Dinis no local de um preexistente islâmico. Apresenta duas salas com a história da antiguidade de Serpa. Das muralhas do castelo desfruta-se da vista panorâmica sobre a cidade.

interior do museu do relógio

No interior da cidade, perto da praça da República, instalado num antigo convento do Mosteirinho do Séc. XVI, está instalado o museu do relógio. Este museu, um dos poucos do mundo dedicado a esta temática, é pertença  de uma instituição particular. Apresenta um espólio de 2.500 peças mecânicas, datadas desde 1630 até aos dias de hoje. Nas diversa salas pode-se contactar com as diferentes marcas e origens. Tem uma oficina de restauro para apoio às peças museológicas, assim como para recuperação dos relógios de pessoas que o solicitam.

Defronte ao Turismo, está localizado o Museu do Cante Alentejano. Serpa foi a proponente do Cante Alentejano a Património Imaterial e Cultural da Humanidade. Tendo conseguido, criou este museu que nos explica todo o processo, assim como a história do Cante.

A famosa e premiada imperial e a sopa de cação

Quem vai a Serpa não pode deixar de tomar contacto com a gastronomia local. Há alguns restaurantes de referência e que nos foram aconselhados entre eles o Alentejano, na praça do Municipio, o Molho Bico que se encontrava encerrado por motivo de férias e o Lebrinha que possui a fama de servir a melhor imperial do mundo. optamos pelo Lebrinha e deliciamo-nos com a famosa imperial. Para acompanhar comemos uma sopa de cação e carne frita alentejana com tomate. 

Não nos esqueçamos dos famosos queijos  e as queijadas de Serpa que compramos nas casinhas que vendem no centro da cidade e que fizemos questão de levar para a nossa viagem.

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ARACENA, Espanha

Parque de estacionamento para AC ao lado do Parque Ferial de Aracena

Saímos de Serpa, de manhã, em direção a Aracena. Ao chegarmos a Aracena procuramos a estacionamento. O GPS indicava-nos um percurso interrompido, que tinha sido transformado em zona pedonal sendo interdito o trânsito de veículos. Estacionamos e deslocamo-nos a pé . Como já tínhamos estado nesse estacionamento fomos verificar se tinham suprimido os estacionamentos de autocaravanas.  Encontramos e verificamos que a rua onde estava estacionada a nossa autocaravana ía dar ao estacionamento de AC. Era ao lado do parque Ferial de Aracena. Um estacionamento muito grande para autocaravanas e autocarros, sem serviços de apoio.

Formações de estalactites nas paredes da Gruta das Maravilhas.

Aracena, cidade do Huelva, conquistada aos árabes pelo rei D. Sancho II de Portugal, em 1265, durante a reconquista cristã. Esta localidade é conhecida pela Gruta das Maravilhas, uma importante fonte de receita e geradora de empregos, que fica no centro da cidade de Aracena. Depois de adquirirmos os bilhetes, ( 10€) entramos na gruta acompanhados por um guia e um grupo de visitantes. As fotografias estão proibidas. Estas grutas foram descobertas em 1850, mas só foram abertas ao público em 1914. Foram as primeiras grutas turísticas de Espanha. É uma grande cavidade freática, com 2.130 metros de galerias sendo visitáveis só 1.200 metros.  Tem salões muito bonitos que combinam estalactites, estalagmites e vários lagos dentro do cerro del Castillo. São consideradas das grutas mais bem preservadas do mundo. No exterior da gruta existem inúmeras lojas com artesanato local e recordações da visita pela gruta.

Sala do Museu do Presunto Ibérico

O museu do presunto Ibérico, (Museu del Jamon) mereceu a nossa visita. O Museu está instalado no centro urbano de Aracena, a apenas 200 metros das Grutas de las maravilhas. A visita é guiada por áudio baixando o QR Code. Dentro do museu podemos ver uma exposição dos ´´Presuntos do Mundo´´. Está concebido, de forma didática, para informar e divulgar a cultura do porco ibérico. Nas sete salas tem-se conhecimento sobre as pastagens, a alimentação, o abate tradicional e industrial e os processos de cura e produção. É acompanhado por painéis e projeção de audiovisuais. No final foi-nos dado uma lista de adegas e restaurantes que por 1€ e a apresentação do bilhete de ingresso, poderíamos fazer a degustação do presunto.

Igreja de Nuestra Señora de Mayor Dolor ou a Igreja do Castelo.

No alto do cerro de Aracena, impõe-se o castelo e a igreja de Nuestra Señora de Mayor Dolor ou a igreja do Castelo. O castelo foi mandado construir pelo rei de Portugal, aquando a conquista aos Serracenos. A cintura muralhada em redor do castelo foi mandado construir por D. Sancho IV. para conter os ataques dos portugueses, uma vez que, havia alternância na sua posse. Este castelo foi construído sobre uma antiga edificação islâmica. Pode-se visitar com o apoio do audio guia do Código QR.  Ao seu lado tem a igreja da Nuestra Senhora del Mayor Dolor. A Igreja foi construída entre os séculos XIII e XIV e tem estilos mudejar e gótico. Guarda a imagem da padroeira dos Arcacenos que ocupa o retábulo-mor. A igreja está muito bem localizada e obtêm-se fotos muito boas da cidade e da serra de Aracena.

Aracena é uma cidade animada, com muitos turistas e habitantes a frequentarem as inúmeras esplanadas, com crianças brincando nos parques animadamente. Experimentem vaguear pelas ruas e, já agora, desloquem-se à pastelaria Rufino e saboreiem um dos seus deliciosos bolos. Foi o que fizemos!

MINAS DE RIOTINTO

De manhã do dia seguinte, decidimos visitar as milenares minas de Riotinto-Nerva. A história destas minas remonta à idade do Cobre, com civilizações já organizadas e que desenvolveram técnicas para a extração mineira, como por exemplo com os Tartessos e Fenícios. Mas foi com os romanos e a aquisição de novas técnicas de extração que se desenvolveram. Têm 5.000 anos.
Ao longo dos tempos foram um grande centro  de emprego e desenvolvimento local, especialmente com a introdução da mecanização no séc XIX por parte dos ingleses que a adquiriram, empregando também muitos portugueses. Mais tarde, com a nacionalização por parte do governo de Espanha, a desvalorização das matérias e o surgimento de outros polos de extração, entraram em recessão.
Em redor da mina surgiu uma vila mineira com hospital, igreja, escolas, campos de jogos….. que ainda hoje existe.
 Nesta nossa visita começamos por estacionar à entrada da localidade, no estacionamento do parque canino “Tierra Roja´´.
N 37º 41´46´´   W 6º 35´50´´
 
 
Seguimos a pé pela estrada em direção ao Museu Mineiro. Adquirimos os bilhetes para a viagem de comboio mineiro turísticos, à mina de céu aberto “ Corta Atalaia´´ e ao Museu Mineiro. (15€/pessoa) Deslocamo-nos ao Ferro carril Mineiro a cerca de 4,8km de autocaravana. O parque era grande e permitia o estacionamento de veículos de grande porte.  Apanhamos o comboio turístico e a guia, durante todo o percurso foi explicando  sobre a exploração mineira e transporte dos minérios ao longo dos tempos. Podemos ver a cor do rio que deu nome à localidade.
A coloração do rio, consequência da existência de um ácido com pH proveniente do ferro e outros metais nas suas águas. Apesar das características estas águas eram na antiguidade usadas para curtir peles e tratar de doenças da pele.
 Quando chegamos ao fim da viagem, pode-se descer até ao rio e tomar contacto com as suas águas, apesar da guia recomendar precaução com as roupas.
Quando regressamos de comboio, era hora de almoço. A segunda parte da visita estava marcada para a mina de céu aberto, Corta Atalaya, para depois do almoço.  Seguimos com os nossos veículos o carro da guia e paramos no estacionamento da mina anteriormente referida.   As dimensões desta mina são uma elipse de 1.200 metros de comprimento, 900 metros de largura e 350 metros de profundidade. Esta mina foi um projeto ambicioso do tempo dos ingleses, que se iniciou em 1907. Foi encerrada em 1992. Neste momento está inundada devido aos lençóis freáticos e não ser bombeada.
 
Máquina elétrica antiga que trabalhava nas galerias.

A seguir fomos visitar o Museu mineiro. Este museu está num edifício que abrigava o hospital da Rio Tinto Company Limited, a empresa britânica que explorou a mina. entre 1873 e 1954. Abriga os depósitos arqueológicos e históricos de 5.000 anos de exploração. Tem como função a interpretação, mostra todo do mundo mineiro, sempre em relação à exploração das minas. Inclui no seu espaço uma reprodução de uma Mina Romana, peças relacionadas à mineração e metalurgia de todos os tempos. É um espaço de cultura eminentemente mineiro.

Pernoitamos no parque de estacionamento sem problemas. A cerca de 500 metros, nas velhas casas mineiras, existe um supermercado com todos os produtos inclusivé carnes, fruta e legumes para quem necessite.

Para seguirem esta viagem podem ver o vídeo do Youtube, referente a Aracena e Rio Tinto.

SALUNCAR DE BARRAMEDA

Salúncar AC – Parking

Dirigimo-nos, depois de rio Tinto, a Saluncar de Barrameda. Estacionamos no Parque de autocaravanas  Saluncar AC – Parking. Um parque muito agradável, a 50 metros da praia, com preços acessíveis e com alvéolos de estacionamento. A tarifa é de 8€ ( época baixa) – 12€ (época alta) com máquina de lavar, banhos e parcelas ajardinadas. Fica a cerca de 6 km de Saluncar de Barrameda, mas é servido por um autocarro que, de hora a hora, nos leva ao centro da cidade. (1,10€)

N 36º 45´ 41´´ W 6º 23´ 45´´

Réplica da nau de Fernão de Magalhães exposta no Museu do gelo.

Saluncar de Barrameda é uma cidade muito ligada aos países sul americanos, pois daqui saiam as naus para colonização, comércio e evangelização da América.  A cidade  encontrava-se a comemorar os quinhentos anos da viagem de circum-navegação, por Fernão de Magalhães, navegador português do séc XVI, ao serviço da coroa espanhola. Fernão Magalhães, nascido em Sabrosa, partiu com 5 naus e 237 homens em 1519/ 1522, de Sanlúcar de Barrameda para a viagem à volta do mundo, pelas Américas, percurso que Cristóvão Colombo fazia, uma vez que o tratado de Tordesilhas impedia que o fizesse pelo caminho a oriente, o caminho marítimo português.

Os cavalos que existem na América saíram de Saluncar de Barrameda. Como tinham de atravessar o oceano em naus, fortaleciam-nos fazendo-os cavalgar nas areias da praia. Hoje, em virtude disso, existem as famosas corridas de cavalos na areia da praia, declarado interesse turístico internacional e que tanta gente atrai.
 
Nas adegas do Vinho Manzanilla
 
 
O vinho manzanilha é um vinho único.  É feito utilizando um vinho “mãe” antigo, a que é adicionado sucessivamente vinhos novos, ano após ano. Nunca tinhamos visto. Fomos visitar uma adega. O guia explicou-nos como era feito o vinho, mostrou as instalações e, no fim, tivemos uma degustação de 5 variedades do vinho Manzanilla. Tem um paladar um pouco complexo, a que não estamos habituados.
 
 
 
 
 
 
 
A sua música, em especial o flamenco é apreciado.
 
O seu castelo é muito lindo, com uma torre de onde se pode ver o rio Guadalquivir e o mar. A rainha Isabel, a Católica, viu o mar pela primeira vez através da sua torre.
 
Parque Doñana

Nestas nossas viagens aproveitamos para visitar locais de interesse , como é o caso do Parque Nacional de Doñana, a maior reserva biológica da Europa, declarada Património da Humanidade pela UNESCO em 1994.

O parque recebeu o nome de Doñana, porque era o nome da filha da princesa Eboli e do Duque de Medina, líder da Armada Invencível e sempre que conquistavam ou compravam novos territórios, colocavam o nome de Dona Ana.
Este parque tem uma fauna e flora variada e autóctone. Também podemos encontrar o lince Ibérico, apesar de se ocultar entre a folhagem. Para se visitar, adquire-se um ingresso em Sanlúcar de Barrameda ( 20€) e o acesso é de barco. Pode-se fazer a visita a pé, num pequeno percurso, ou de veículo todo o terreno.
As choças ( casas de madeira cobertas de colmo) que surgem nas fotos, são de antigos habitantes que viviam exclusivamente da agricultura de subsistência e da produção de carvão vegetal.
 
A vedação em pedra para a captura de peixe, durante a maré alta.
 
Em Saluncar de Barrameda, ao lado do Parque de autocaravanas, vimos uma forma ancestral de pesca, do tempo dos Fenícios, com mais de 3.000 anos. Tratam-se de barricadas em pedra, de forma semicircular, construída no areal da praia.
Com a subida da maré os peixes, crustáceos e moluscos, entravam nessas barricadas inundadas e ficavam presos com a maré baixa devido à barricada. Esta pesca ancestral tem a designação de ” pesca a pé “.
 
 
 
CADIZ
 
A nossa viagem continuou. Desta vez deslocamo-nos até Cadiz, pois era nosso propósito fazer a costa de Espanha.
Ao chegar a Cadiz estacionamos no porto, no parque Muelle Reina Sofia. Fica a cerca de 700 metros do centro da cidade, com lugares reservados para ACs, sem serviços. A permanência está autorizada por 72 horas. É necessário pedir o ticket na portaria e pagar antecipado para conseguir um preço bonificado. (3€/dia)  De noite revelou-se muito barulhenta, pois existem uns bares nas imediações e o som altíssimo dos bares e os dos jovens a conversar perturba.
 
N 36º 32´ 15″   W 6º  17´ 24″
 
Parque do Molho Rainha Sofia (Muelle Reina Sofia)
Cádis (em espanhol Cadiz), é uma ilha que deixou de ser ilha. Teoricamente é uma ilha separada do continente pelo canal Caño Santi Petri que atravessa pântanos, mas a construção de um istmo com uma estrada, tornou-a numa península. Podemos afirmar que Cadiz é uma cidade fortificada cercada por mar.
Devido à sua localização regista uma atividade portuária e estaleiros intensa. O turismo e o comércio são a base da sua economia.
Tem belíssimas praias e um importante património histórico, que nós fomos visitar.
 
Interior da Sé Velha onde se destaca o retábulo-mor, uma das joias da escultura barroca de Gaditana.

Entre os mais importantes monumentos, encontra-se a Sé velha ou Igreja de Santa Cruz, em estilo gótico-mudéjar, foi

edificada no reinado de Afonso X de Castela no séc XIII. É o templo com mais história da cidade e reza a tradição que foi construída no local de uma antiga mesquita muçulmana. O exterior é muito simples e parece ter sido privada da fachada lateral monumental, com elementos que serviram na decoração da Sé Nova.
 
 
 
 
 
Altar-mor dedicado à Imaculada da Conceição

A catedral nova, é um  edifício de estilo barroco e neoclássico, dos séculos XVIII e XIX.  A crise económica fez com que a catedral tivesse um estilo variado, devido às invasões francesas e a consequente perda de poder sobre as colónias da América. Está localizada no centro histórico, quase à beira-mar, e é visível de quase todos os pontos da cidade. Visitamo-la com a ajuda do código QR que nos foi contando a história desta catedral e da sua maldição. Devido à utilização de rochas provenientes do mar e ao atraso das obras, muitas partes do templo foram expostas aos rigores do tempo tendo causado uma doença na pedra que faz com que se desintegre gradativamente. É por isso que, no seu interior, as abóbadas do templo são cobertas por redes que evitam que os escombros caiam no solo ou em cima das pessoas.

Esta Catedral é muito bonita. De realçar o altar-mor que é constituído por um templo neoclássico, dedicado à Imaculada Conceição.
A cripta da catedral.

Sob o altar-mor existe uma cripta situada abaixo do nível do mar, onde estão sepultados alguns ilustres cádis, bem como muitos bispos  da diocese.

 
A cripta destaca-se pela abóbada plana do espaço central e pela curiosa reverberação sonora que a sua forma produz. Se batermos o pé no seu centro ou emitirmos um som provoca um eco interessante.
 
Outro elemento interessante da catedral é o seu coro. Está localizado na nave central, em frente ao altar-mor. Os seus assentos e os dois órgãos são provenientes da Sé Velha e são uma obra de arte. 
 
No cimo da torre sineira com vista panorâmica sobre a cidade.
 
 
No exterior da Catedral vemos duas torres que se erguem nos lados da fachada e têm a forma de um observatório astronómico.  Curiosamente a Catedral possui estas torres sineiras com pouca altura, para evitar de serem um alvo fácil para os inimigos vindos do mar. Só a Torre do relógio é que está visitável e sobe-se por uma rampa interior até ao local dos sinos.
 
 
 
 
 
Ruínas do teatro Romano.

Ao deambular pelas ruas estreitas do casco velho da cidade, fomos ter ao Teatro Romano. É um teatro com cerca de 120 metros, e sua capacidade seria de cerca de 20.000 espectadores, sendo considerado o segundo maior do mundo romano. É superado pelo teatro de Pompeu, em Roma. Foi descoberto acidentalmente em 1981 num incêndio de um armazém. As suas ruínas são visíveis da rua e está à beira mar.   Existe um Centro de Receção e Interpretação do Teatro Romano no mesmo local que ocupa atualmente parte do coliseu, que não pudemos visitar, pois seria necessário reservar pela internet, devido à limitação de entradas em tempo de limitações do Covid-19.

 
Marginal e praia de Cadiz

O museu de Arqueologia, o Museu de Belas Artes e a Torre de Tavira, uma torre de vigia e o ponto mais alto da cidade de Cádiz, a 45 metros acima do nível do mar, merecem uma visita. 

A melhor forma de visitar uma cidade e ter uma visão global,  é fazê-lo usando os autocarros turísticos.   Foi o que fizemos. Podemos apreciar a cidade extramuros com a sua marginal, as praias de areias finas e douradas, os estaleiros navais e zonas comerciais. 

BOLÓNIA

De seguida dirigimo-nos a Bolónia.

Bolónia é uma pequena vila costeira de Tarifa muito procurada no verão devido à sua praia de areias finas e douradas. É considerada uma das melhores praias de Espanha. No inverno, segundo consta, a ocupação reduz-se a uma centena de pessoas. No entanto, neste período outonal, não era a praia que procurávamos. Junto à praia encontram-se as ruínas da antiga cidade romana de Baelo Claudia, em excelente estado de conservação e uma Duna grande.

Ficamos estacionados na área de Serviço Tarifa-Bolonia. Um parque com muito espaço e perto da praia, de restaurantes e de um supermercado.

Praia de Bolonia

N 36º 05´16″ W 5º 45´56″

A caminho da duna, passamos pelo complexo arqueológico Baelo Claudia. A sua entrada é feita através de um centro de interpretação muito interessante que nos dá a perspetiva do que vamos encontrar.

A Duna de Bolonia foi declarada, em 2001, monumento natural e de importância ecológica. É extremamente móvel, o que impede o estabelecimento de espécies vegetais. Os lados da duna são rodeado de pinheiro manso e uma com vegetação rasteira mediterrânea. O avanço natural e contínuo da areia causa a morte por soterramento dos pinheiros. no entanto, As medidas de conservação atuais aconselham que não seja impedido esse avanço. Subimos à duna pela praia e aproveitamos para tirar umas fotografias no seu topo.

Baelo Cláudio foi uma bonita e próspera vila costeira do séc. II aC, da época do império romano. Este conjunto arqueológico é surpreendente pelo seu estado de conservação. A principal atividade económica foi a pesca do atum, a industria da salga do peixe e do garum ( molho muito apreciado derivado do peixe) existindo comércio com o norte de África. Existem na cidade vestígios dessa atividade bem preservados. Nesta cidade não falta nada. Podemos ver o fórum, o teatro, templos, lojas, tabernas, mercados, banhos termais, aquedutos e vestígios de uma rede de esgotos. Em nenhum outro lugar é possível, após a visita, ter uma visão tão completa do urbanismo romano como em Baelo Claudia. O seu declínio económico começou no séc II dC , provavelmente devido a um terremoto que destruiu parte da cidade.

Complexo Indústrial de peixe da época romana.

Este conjunto arqueológico, declarado Monumento Histórico Nacional, é um dos locais mais visitados da Andaluzia.

Para verem o vídeo sobre esta viagem é clicar no vídeo

TARIFA

Em Tarifa fomos dirigimo-nos ao um parque de autocaravanas “de La Marina”. É espaçoso, em terra batida, mas tem serviços, apesar de não ter eletricidade. (8€). Fica situado a cerca de 800 metros do centro histórico, tem uma gasolineira com venda de garrafas de gaz a uns 300 metros.

N 36º 01´05″ W 05º 36´ 39″

Área de La Marina em Tarifa

Tarifa, conhecida pela cidade dos ventos desde tempos remotos, é um dos melhores lugares da Europa para a prática do “Windsurf” e ” kitesurf” devido aos ventos fortes e constantes, consequência do encontro das massas do Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo.

A prática de kitesurf atrai milhares de praticantes de todo o mundo.

A cidade, aproveitando esses ventos, rodeou-se de centenas de turbinas eólicas, para produção de energia elétrica.

Da ilha das Palomas avista-se a costa Norte de Marrocos e daqui saiam regularmente, carreiras fluviais para Tânger e Ceuta, actualmente suspensas devido à pandemia do Covid.

Tarifa é uma cidade pequena, com ruas sinuosas, caiadas de branco, com pátios interiores muito parecidos com os marroquinos.

O castelo, uma antiga fortaleza árabe serviu, até há pouco tempo, como fortaleza defensiva. O castelo de Tarifa. Este castelo teve uma triste história. Em 1292, Gusmão el Bueno era o responsável pela defesa de Tarifa e do Castelo. Os árabes capturaram o filho pequeno e ameaçaram matá-lo se não se rendesse. Gusmão como resposta, arremessou o seu punhal da torre para que o fizessem pois jamais se renderia. Assim salvou a cidade e o povo chamou-o de “el Bueno”.
(Claro que os árabes mataram o filho e arremessaram, por uma catapulta, a sua cabeça para o castelo).

Castelo Gusmán el Bueno
Vista panorâmica de cais de Málaga

MÁLAGA, situada no sul da Espanha, é conhecida pelos grandes hotéis, resorts e praias de areia dourada. A cidade está situada a uma altitude de 8 m acima do nível do mar e abr-see para uma grande baía.  No seu cais param enormes cruzeiros. Málaga é também nome da uva moscatel, colhida na região e comercializada internacionalmente. Fomos visitar esta cidade e encontramos uma animação de festejos, já há muito suspensos devido à pandemia.

Área de Málaga Beach

N 36º 42′ 49″ W 04ª 18´59″

Estacionamos na Área de autocaravana Málaga Beach a 15 km. A tarifa é de cerca 10€/dia + 5 €/electricidade. Está situada ao lado da praia, com acesso através de um portão. Tem centros comerciais a 400 metros e gasolineiras. Para se aceder à cidade de Málaga apanha-se o autocarro. O valor do bilhete é de 1,70€ e 20 minutos depois encontramo-nos no centro de Málaga.

Visitamos a Catedral de Málaga, mais conhecida pela ” La manquita”, porque uma das duas torres está inacabada, por falta de fundos. Mas o seu nome completo é Santa Iglesia Catedral Basilica de la Encarnación. Foi construída sobre uma antiga Mesquita. Levou dois séculos a ser construída, daí ter diversos estilos artísticos, renascentista/barroco com
afloramentos góticos. No seu interior podemos apreciar um belo quadro ovalado de tamanho impressionante. Esse quadro é famoso não pela pintura, nem pelo pintor, mas porque foi pintada sobre uma pele completa de elefante.

Fachada da Catedral de Málaga

Museu Picasso. Sala com exposição permanente de peças procedentes da coleção privada de dois de seus familiares.

Alcazaba

É uma construção palaciana do período islâmico. Foi construído entre os Séc. VIII e XI, junto à entrada de um anfiteatro romano escavado. Tem uma rampa de acesso em ziguezague, com portas fortificadas. Algumas dessas portas estão decoradas com colunas e capiteis procedentes das ruínas do teatro romano. Tem um belíssimo jardim com caminhos rodeados com buganvílias, madressilvas e jasmins.

O palácio de arquitetura de estilo Nasrid, na parte central do recinto, era onde viviam reis e governadores. Está organizado com base em pátios retangulares, abertos por arcos em ferradura que assentam em colunas de mármore.

Este palácio-fortaleza é um dos monumentos históricos da cidade muito visitado por aliar história, beleza e umas vistas panorâmicas espetaculares.





O mercado de Atarazanas situa-se no local onde existiam alguns estaleiros navais Nasrid no século XIV que, após a conquista cristã da cidade, foram utilizados como armazém, arsenal, hospital militar e quartel. Esteve quase a ser demolido. Foi intervencionado entre 2008/10 com o objetivo de recuperar a sua traça original. É feito ferro forjado, vidro e , tem uma fachada interior de vitrais. É um mercado muito bonito. No seu interior há bancadas com produtos hortícolas, talhos e bancas com muito peixe e marisco.

No mercado existem cerca de quatro pequenos bares onde se pode tomar uma “copa” ou comer uma pequena refeição, como foi o nosso caso.

Escolhemos o pescadito frito e mexilhões, pratos que fazem parte da gastronomia local.

Interior do Mercado Central de Atarazanas
Pescaditos fritos
Andor da procissão em Málaga

Ao chegar à cidade, fomos surpreendidos, com acessos cortados pela policia e a existência de cadeiras ao longo das ruas. Tratava-se da procissão Magna “Camino de la Gloria”, a comemoração do centenário das confrarias. Ao longo de toda tarde e noite desfilaram andores, com dezenas de participantes e devotos de cada confraria. São manifestações religiosas próprias da época da Páscoa e que vimos reproduzidas neste período de outono.

CASTELL DE FERRO

Ao dirigirmo-nos a Castell de Ferro, pela autovia do Mediterrâneo, fomos surpreendidos pela existência, ao longo das encostas dos montes e vales, de estufas. Muitas estufas! Aqui as estufas são chamadas de “inverneiros”. Na terra árida conseguiram produzir em grandes quantidades, frutos e produtos hortícolas, recorrendo às estufas. Dada à necessidade, recorrem à mão de obra de emigrantes oriundos do norte de Africa. Não nos é estranho, nestes locais cruzarmo-nos com estes povos magrebinos.

Vista panorâmica de Castell de Ferro

Estacionamos no parque de autocaravanas de ” TROPIC Ac Camper Park. Este parque é muito agradável, com serviços, com quartos de banho, bancas de louça e tanques de roupa. Um padeiro diariamente, pelas 9h, aparece no parque. Nas imediações existe um supermercado, uma bomba de combustível, venda de gás, lavandaria e cafés. A tarifa são 10€/dia + 3€ eletricidade.

Tropic Ac Camper Park

N 36º 43´112 W 3º 21´52″

Castell de Ferro tem cerca de 7 km de praias e arribas alternadas. As praias são formadas por rochas roladas pequenas e grandes. Dada a inexistência de areia e detritos as suas águas são límpidas, sendo assim um ótimo local para a prática da mergulho.

Na parte sul do parque de Ac existe uma porta que dá para esta praia.

A cerca de 300 metros há um parque de campismo.

ADRA

Em Adra

Estacionamos no parque da marginal, junto á praia, perto do porto e do centro histórico, na avenida Del Trafalgar C.F.

N 36º 44´ 43″ W 3º 0´ 47″

Adra Museum

O Museu de Adra é um museu instalado na casa da família Tell e, nos três andares que ocupa, mostra a legado cultural das civilizações púnicas, fenícia e romana. Mostra também como era a medicina na Era romana.

Ao lado do museu, defronte da Ermita de S. Sebastião, existem vestígios de ruínas da indústria de salga romana.

A cerca de 100 metros, pode-se visitar um moinho de hidráulico muito interessante, o Moinho del Lugar. Era o moinho que servia a cidade de ABEDERA, hoje Adra.

Moinho del Lugar

O moinho reúne um acervo muito interessante, acompanhado por fotos e apetrechos relacionados com a agricultura local.

Este moinho é uma secção etnográfica do museu.

Em Adra, existiram várias indústrias açucareiras. Foi uma importante produtora de cana do açúcar, de trigo e de vinho. Pela cidade existem vestígios dessa indústria.

Aproveitar para visitar parte da Muralha de la fortaleza de Adra, a Torre Vigía de Guainos, o Centro Arqueológico Cerro de Montecristo para melhor compreender a história desta localidade.

A  Igreja paroquial da Imaculada Conceição é um bom testemunho dos tempos em que a cidade era atacada por piratas turcos e arabes, sendo fortificada. O Refúgio Antiaéreos de la Guerra Civil é um testemunho a não perder sobre a guerra civil que tanto afetou as populações locais.

Existe um feira semanal muito importante em Adra.

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