A CAMINHO DOS PIRINÉUS ESPANHA

A CAMINHO DOS PIRINÉUS      ESPANHA

A CAMINHO DOS PIRINÉUS

 Volta á França em Bicicleta… tantos anos a acompanhar as transmissões televisivas, e sempre a promessa que fazia a mim próprio… Para o ano vou de certeza!

Mas de certezas ia ficando o inferno cheio, até que chegou a oportunidade de cumprir este sonho…

Finalmente a autocaravana partia a caminho dos Pirinéus, depois de passadas as montanhas, iriamos encontrar os heróis da estrada!!!

Primeira paragem na área de serviço da Batalha, lugar usado para refeições e dormidas em muitas viagens de autocaravana.

A churrasqueira próxima forneceu o franganito e a salada que ainda dariam para a refeição da noite. Café e um ultimo “pastel de nata” iguaria que muito apreciamos, só a voltaríamos a provar passados muitos dias.

Passagem por Chaves para abastecer os frigoríficos e uma refeição rápida e de novo na estrada, que o dia estava quente mas convidativo a fazer quilómetros. Algumas paragens para apreciar a paisagem a caminho de Espanha

Alguns quilómetros depois, já em terras espanholas, passámos  a povoação de Benavente, e estacionámos junto á igreja do Pueblo de Villanueva del Campo,

A ideia que orientaria esta viagem, seria ir percorrendo povoações que tinham ficado por visitar em passeios anteriores, tínhamos ainda pela frente alguns dias antes da presença no Tour. Esta paragem  mostrou rapidamente que nas pequenas localidades, se consegue um contacto com o povo “vizinho” muito mais intimista, nas esplanadas, á porta das casas, nos bancos de jardim, as conversas aconteciam com muita facilidade, e todos queriam mostrar o que a sua terra podia oferecer de diferente, ou mesmo que experimentássemos alguma especialidade culinária local, seria assim ao longo de toda a viagem e rapidamente percebemos que continuávamos a usar a forma ideal para “viver o nosso tempo”.  Alternar as visitas ás cidades com as pequenas localidades onde o tempo corre mais devagar.

Percorremos calmamente as “cales” descobrindo os pátios interiores das casas, admirámos a igreja de Villanueva del Campo, e fomos aprimorando o nosso “espanholes”, em conversas ocasionais…

Já dentro do espírito da viagem, seguimos na direção  de Palencia, paragem seguinte Villalón de Campos.

O estacionamento foi a indicação de locais, que procuravam nas escassas sombras, algum alivio para os 35° que se faziam sentir.

Pelas ruas ladeadas por arcadas, que mostravam os muitos anos que já tinham presenciado a vida neste Pueblo, fomos até praça onde se situa a Igreja de San Miguel e o posto de turismo. Muita história e histórias ficou por descobrir sobre esta localidade que no séc. XV e XVI, foi um muito importante centro de comercio de gado. A documentação obtida neste centro de informação, e as especialidades mostradas nas lojas do comercio local, despertou o interesse por uma visita mais demorada a incluir em próxima viagem.

A não perder o pelourinho de estilo gótico do séc. XVI

Descobrir mais em:    http://youtu.be/SK26-gU6Qfg

Continuámos a estrada até Palencia, onde o estacionamento na área de serviço não levantou problemas.

N 42° 0’ 12’’

W 4° 32’ 5´

Consultar o site www.areasac.es para melhor informação sobre as áreas de serviço disponíveis para Espanha.

Uma noite calma e pela manhã… o Sol e os 30 e muitos graus…

A área de serviço está localizada muito próximo do centro urbano e possibilita uma visita á cidade sem se usar os transportes públicos.

Cidade com manifestações religiosas muito importantes, nomeadamente durante a semana santa,  oferece um património histórico e religioso que não deixará ninguém indiferente.

  

Durante a visita um lugar a não perder será a “Plaza Mayor”, centro social da cidade, com as esplanadas para uma bebida refrescante e as arcadas, onde se podem encontrar lojas com a oferta dos produtos regionais.

As ruas com o seu tipicismo…

  

O monumento que pela sua importância mais nos impressionou foi a Catedral

 Esta Igreja começou a ser edificado em 1321, sobre construção de templos visigóticos e românicos, que formam a cripta de San Antolín.

Vale a pena comprar o pequeno guia que se vende na recepção, para que a visita seja mais completa, e compreender melhor os aspectos artístico e religiosos deste monumento.

Há sempre um pormenor que nos escapa, e que estes guias ajudam a encontrar

    

Ao sair da catedral á esquerda, procurar uma gárgula muito original, a figura de um fotografo que parece retratar os visitantes, procurem no guia o seu simbolismo…

Mas nem só de aspectos religiosos vive a cidade de Palencia, muito há para ser visitado, museus, comercio de rua,o seu mercado…

 As animadas “calles”

    

Mas a viagem tinha de continuar e depois do almoço, seguimos na direção de Briviesca. Ao chegar o estacionamento pode ser feito junto ás piscinas na parte alta da povoação, a entrada na parte histórica, se feita com cuidado não levanta problemas de maior.

N 42° 33´01´´

W 3° 10´41´

E pouco depois já partíamos á descoberta da “La Bien Trazada”.

As ruas a exemplo de muitas outras povoações espanholas, vão confluir na “Plaza Mayor”,  que têm a sua origem, nas praças de armas dos acampamentos militares romanos. Mais tarde em finais da idade média, vão transformando-se em lugares de encontro e de mercado, afastando-se da sua origem militar. Aqui em Briviesca é muito curioso o coreto que tem por baixo uma fonte, assim podiam ter música e saciar a sede, tratar do corpo e do espírito.

Inúmeros são os motivos de interesse para se deambular por estas ruas, as casas senhoriais que lembram a importância desta localidade em anos passados, as Igrejas, nomeadamente a de San Martin e o seu retábulo, o eixo urbano da “Calle Medina” que está na origem de Briviesca, As esplanadas que estão presentes em todas as ruas e praças, curiosamente em Espanha, as esplanadas têm serviço de mesa, hábito que se vai perdendo no nosso país, e nestas localidades mais pequenas, os preços mesmo quando sentados em agradáveis esplanadas, são muito próximos ou iguais aos nossos, ao balcão!?

  

A tarde ia avançando e seguimos para nova paragem na povoação de

Los Barrios de Bureba, continuávamos a viagem por “Castilla Y Leon”.

Muitas foram as viagens feitas de autocaravana, em que Espanha era apenas um ponto de passagem, olhávamos para estas pequenas localidades e seguíamos para países mais distantes da Europa, mas esta viagem estava a ser uma descoberta, tantos encontros interessantes que íamos tendo, como aconteceu aqui, onde uma Igreja românica nos faria parar e acabámos por conhecer um artesão de entalhe em madeira.

                                  

 

-ÁH! Os senhores gostam de admirar coisas bonitas?

Perguntava com um sorriso o Sr. Pristiliano, enquanto as nossas máquinas fotográficas guardavam as imagens românicas…

-Então visitem aqui a minha pequena oficina.

E foi o deslumbramento ao ver como as mãos deste artificie de mais de oitenta anos continuavam a produzir peças de escultura e entalhe em madeira, estava a trabalhar uma moldura para a fotografia da comemoração das bodas de ouro do seu casamento.

E lá nos perdemos nas horas, com a conversa com o artista “Titsi”, como o Sr. Pristiliano assina as suas obras.

A presença da arte românica seria uma constante na nossa viagem, e para aqueles que como nós gostam de viajar e descobrir a história dos povos ,para melhor compreender o seu futuro, aqui fica mais um endereço do YouTube, este sobre a arte românica por terras de Los Barrios de Bureba.

http://youtu.be/uZg-WMzfhME

E sempre podem ir treinando a forma, de melhor compreender como se fala aqui pelo país ao lado. A tarde estava a terminar e ainda tínhamos alguns quilómetros de estrada pela frente, mas á saída de Los Barrios na direção de Poza de La Sal, a viagem continuou por uns atalhos, faltava a foto da Ermita de San Fagún…

E por mais atalhos estava fadada a etapa final, uma hesitação na leitura do GPS, e lá fomos parar a uma pequena localidade. Só passava um veiculo de cada vez, mas nada de preocupante, e ainda deu tempo para se servir  de cicerone a uma família da Colômbia, emigrada por estas paragens, que nos indicaram o caminho, mas estavam cheio de curiosidade para conhecer um veiculo como este por dentro…

Já o Sol tocava o horizonte quando chegámos ao nosso destino deste dia Poza de La Sal.

Um primeiro contacto com esta povoação que desde os tempos da romanização teve uma atividade muito importante na recolha de sal.

  

Ficámos com muita vontade de começar a visita, mas a tarde estava a terminar e tínhamos de procurar um lugar para estacionar.

As ruas sinuosas e estreitas do centro histórico aconselhavam a procurar um espaço á entrada da zona urbana.

N 42° 39´58´´

W 3° 29´53´

Com vista para o castelo proporcionou uma noite calma.

 

Mas antes de se ir dormir, ainda houve tempo para um passeio pelas ruas da povoação e uma simpática troca de palavras, com umas senhoras que procuravam no fresco das nascentes da água salgada, uma forma de se refrescarem na noite que ia quente…32° á meia noite!

  

O sol começava a brilhar cedo e havia que começar a visita.

No inicio da visita, um mural com a imagem do naturista e realizador de documentários de televisão de quem guardamos boa memória, Félix Rodriguez de la Fuente, provocou a nossa curiosidade.

A povoação estende-se pela encosta envolta por uma muralha, onde se encerram ruas estreitas, casas senhoriais, as portas da muralha e as pequenas praças, centro da vida social.

Num canto da praça chamada “Plaza Nueva” junto da “Puerta del Conjuradero”, foto anterior, encontrámos a panaderia. Encomendámos o pão que recolheríamos mais tarde, quando para nosso espanto a resposta foi dada em português, emigrantes brasileiros que por ali se fixaram. Permanecemos um pouco á conversa, ficando a conhecer aspectos da vida quotidiana desta vila, que após o fim da exploração salineira encontra na agricultura e turismo a sua forma de vida.

      

Continuámos a visita indo ao encontro do posto de turismo na “Plaza de la Villa”.

 Junto ao Ayuntamiento fica a Oficina de Turismo e o Espaço Medioambiental com o nome Félix Rodriguez de La Fuente. Tudo nos foi explicado, Poza de La Sal é o local onde nasceu e passou a sua infância este médico de formação académica, mas que encontrou na natureza a sua razão de vida

 A visita ao centro é muito interessante, ficamos a conhecer o percurso de vida deste naturalista e realizador de televisão. Aconselhamos que após esta visita e já munidos do respectivo guia cedido na recepção do centro, façam um percurso pela vila descobrindo os locais da vivencia deste naturalista pozano.

  

Depois será a visita ao “Centro de Interpretacíon Las Salinas”.

O percurso começa no posto de turismo acompanhados por um guia que nos levará pelas ruas medievais até ao edifício onde se encontra uma exposição sobre este fenómeno natural.

O fenómeno geológico chamado diapiro está na origem de toda a atividade de extração de sal que remonta á ocupação romana. O centro ocupa a Casa de Administración de las Reales Salinas construído em 1786 por ordem de rei Carlos III, que atesta toda a importância desta atividade.

O afloramento á superfície da massa salina e outros materiais de menor densidade que estavam a grandes profundidades o diapiro de Poza de la Sal, é um exemplo perfeito de todo este movimento tectónico. As explicações sobre a atividade de extração e toda a vida a ela ligada, foi muito bem explicada pela Sra. Eitxia a guia que nos acompanhou.

Depois fomos visitar as salinas a céu aberto.

        

Poza de La Sal é certamente um destino a eleger para uma próxima visita por terras de Espanha, muito fica por contar da nossa estadia, procurem este endereço do YouTube para ficarem a conhecer mais sobre esta Vila.

http://youtu.be/vh4EAw0L1-c

Regressámos á autocaravana e subimos a estreita e íngreme estrada até ao castelo, mas valeu a pena, a paisagem era fantástica.

-Epá… isto está mesmo muito alto, olha lá as autocaravanas…

   

A viagem continuou para Oña

Esta vila localizada no desfiladeiro do rio Oca e declarada Conjunto Histórico, desenvolveu-se em redor do Mosteiro de San Salvador.

Primeiro um lugar para o estacionamento que foi encontrado junto á antiga estação do caminho de ferro  agora desativada.

N 42° 44´10´´

W 3° 24´45´

AS cerejeiras carregadas de fruta davam um ar de frescura neste dia que ia bem quente.

    

Por toda esta vila se encontram vestígios da vida na idade média, o Centro de Interpretación del Medievo, mostra a história da vila e do mosteiro, pode ser um bom começo de visita.

Mas podemos perdermo-nos pelas antigas calles e ter encontros curiosos, como nos aconteceu num pequeno bar onde nos refrescávamos com uma bebida, e conhecemos um trabalhador do ayuntamiento que fez questão de mostrar o local onde vivia. Uma casa do inicio do século passado, antiga taberna e posto do correio, ainda com os antigos balcões a adega e o local onde o correio era distribuído pela população.

Mas é o Monasterio de San Salvador que no centro da vila chama a nossa atenção. Com origem no séc. XI e mantendo uma grande importância até ao séc. XIV é uma mostra dos estilos românico, gótico e do renascimento apresentando ainda aspetos árabe e mudéjar.

A igreja gótica construída sobre uma igreja românica, tem ainda um claustro também gótico, mas onde se podem encontrar capiteis românicos com a pintura original.

Dentro da igreja também podem ser vistos frescos que pela sua figuração mostram a origem do mosteiro como se fossem banda desenhada.

    

     

 Procurem mais informação em:

http://youtu.be/Syh4-0BueWE

Nós continuámos a viagem agora na estrada para a vila de Frias.

Paragem junto á ponte românica e ao antigo eremitério de Tobera

      

Junto ás cascatas e á vila com o mesmo nome fomos encontrar um pequeno paraíso de frescura neste dia muito quente.

       

 A atração para ficar por aqui foi muita, mas já tínhamos decido que o destino do dia seria a vila de Frias, de novo para a estrada.

E eis que numa curva do caminho surge o castelo e a vila de Frias

Estacionámos na área de serviço para autocaravanas.

N 42° 45´35´´

W 3° 17´45´

Como ainda havia tempo para um passeio antes do jantar, fomos conhecer a Ponte Medieval que permitia a passagem sobre o rio Ebro.

Construída no sé. XIV com 143m e 9 arcos é um testemunho da muita atividade comercial e social  nesta via que ligava a meseta ibérica á costa cantábrica.

     

O passeio a pé acabou por se ir demorando pelos campos em redor de Frias, e foi já com o cair da noite que regressámos á autocaravana para o jantar.

Novo dia, vamos visitar Frias.

Na silhueta desta pequena vila medieval, sobressai o Castelo da família “Los Velasco”, que assumiu grande importância na história desta região.

A zona urbana amuralhada, encerra estreias e sinuosas ruas ladeadas por casas erigidas em adobe e madeira. Constitui um modelo de cidade medieval-defensiva, e está construída numa elevação conhecida como “la Muela”.

Antes da visita… um “cortado” numa das esplanadas na rua principal.

       

Algumas casas estão construídas na escarpa da elevação, formando um conjunto monumental, que é uma das identidades de Frias.

Datada do séc. XIII a Igreja de San Vicente, construída no cimo da elevação, tinha juntamente com o castelo um evidente função defensiva.

Na praça fronteira ao templo, encontramos o antigo mercado medieval. Ainda podemos encontrar a fonte onde se ia buscar água, uma pequena ermida onde se venerava San Vicente e os crentes faziam as suas oferendas, um telheiro reconstruído, onde os feirantes vinham apresentar os seus produtos aos habitantes da vila.

Junto á entrada do castelo encontramos o posto de turismo, onde se pode obter muita documentação sobre a vila e marcar uma visita guiada pelas ruas e pontos de interesse de Frias. Tem ponto de acesso WI-FI gratuita e livre.

O acesso ao castelo é protegido por uma ponte medieval, só para se passar aquela ponte, vale a pena pagar os 1,50€  da entrada na Torre de Menagem.

      

No seu interior, encontramos uma explicação histórica sobre o castelo, a vila e muito especialmente um modelo da forma de construção e de como se vive nas casas construídas sobre a falésia, tudo isto vale bem o  esforço da subida de todos aqueles degraus do castelo.

Descemos num passo lento, as ruas de traçado medieval admirando os brasões das famílias nobres apostos nas casas, e por sugestão de um local, descobrindo “sus belos rincones”.

Muito mais terá ficado por descobrir… mas ficará para uma próxima viagem, por agora, aqui fica um endereço da net, com a história e belas imagens desta vila de Frias

http://youtu.be/P9q6gD5_IjA

Estava na hora de retomar a viagem, o próximo destino seria Salinas de Añana. Paragem para almoço junto a uma barragem no caminho e conversa com companheiros autocaravanistas espanhóis.

Chegados a Salinas de Añana logo compreendemos que o estacionamento não seria fácil, este é um lugar muito visitado e uma piscina próxima, atraia dezenas de banhistas acalorados que assim procuravam fugir aos trinta e muitos graus que continuavam a fazer-se sentir. O importante é manter a calma e nada de precipitações, nunca procurar estacionar em locais que sejam propícios a “riscar” a chapa da autocaravana. Estacionamos um pouco mais á frente que o exercício não faz mal a ninguém. Continuámos pela estrada e um pouco á frente lá estava um P, virar á direita uma rua um pouco estreita,

Pára a autocaravana e vai lá ver como é aquilo ai á frente…

-Tudo bem podemos avançar, é um pouco inclinado mas para estacionar dá perfeitamente.

N 42° 47´53´´

W2° 58´57´

Curioso… estamos estacionados mesmo em frente a um mosteiro da Ordem de Malta, tem um claustro românico e visitas a partir das cinco da tarde. Vamos visitar as salinas e depois antes de seguirmos para Vitória, ainda visitamos o mosteiro.

Um pequeno passeio até á vila, visitámos a Igreja e fomos tomar um café e um gelado ás piscinas municipais, depois seguimos para a recepção das Salinas.

Num dos postos de turismo visitados, vimos umas fotos desta antiga exploração salineira. A visita a Poza de La Sal tinha sido muito interessante, mas esta pela sua dimensão, veio a revelar-se uma boa opção de viagem.

O Vale Salgado de Añana está situado sobre uma antigo mar que deverá ter secado á cerca de 200 milhões de anos. O sal depositado no fundo desse mar veio á superfície devido a um fenómeno geológico denominado Diapiro. Graças a este fenómeno a água (salmora) surge á superfície de forma natural e constante. Quando exposta ao sol em plataformas de evaporação transforma-se em sal.

A visita é paga e acompanhada com um guia que vai descrevendo o processo de condução das águas das nascentes salobras, em calhas que se estendem quilómetros por toda a zona de exploração.

Para ser ultrapassado o problema provocado pelo desnível do terreno, são construídas plataformas em madeira que por estrem impregnadas de sal resistem anos sem apodrecer.

    

A extração de sal continua pelos nossos dias, agora que todo este espaço pertence a uma associação de várias entidades entre as quais o Ayuntamiento de Salinas de Añana. A sua utilização para fins turísticos não descura a componente cultural e científica, assim como a parte comercial. Na loja situada na recepção podem ser encontrados vários produtos aqui produzidos, tendo sempre como base o sal aqui extraído.

Completa a visita um pequeno SPA onde podemos experimentar as virtudes medicinais destas águas…

                                              

 Visita muito interessante. Merece uma viagem pela dimensão da extração de sal e pela simpatia de todos os que nos acompanharam na visita. Podem saber mais neste endereço

http://youtu.be/3xCiU08qMLE

5.000 anos a extrair sal estava escrito na entrada das salinas, para nós ficou a recordação. Esperamos, possa durar no mínimo, outros tantos.

Regressámos á autocaravana. Estava na hora de fazermos a visita ao Mosteiro da Ordem de Malta.

Uma placa á entrada indicava… visitas das 17 ás 19 horas… tocar á campainha á esquerda.

Porta fechada, um silencio secular, mas a curiosidade era muita e sabíamos que possuía um claustro românico muito interessante.

Não somos de voltar para trás. Vamos lá tocar aqui na campainha do Mosteiro de “St Jean d’Acre”.

Uma voz feminina muito sumida… Pero lo que eres?

Deve ser uma irmã…Buenas tardes que quería hacer la visita!

E a voz que mal se ouvia…Puedes entrar por la puerta, se abre automaticamente a la última fila

E lá se abriu uma porta, um corredor estreito, nova porta e ficámos no locutório…

Bom não era o que estávamos á espera de encontrar… o mosteiro ainda está em atividade, ocupado por irmãs que vivem em reclusão, passam os dias na sua vida monástica. Aqueles portugueses que por ali apareceram, certamente ficarão na sua memória. A simpatia das irmãs, a calma que todo o espaço emanava, a conversa sobre o mundo e a religião, a promessa de que iriam rezar por nós e para que a nossa viagem corresse sem sobressaltos e regressássemos ás nossas famílias em paz, deixa nas nossas memórias este, como um dos momentos únicos nas nossas viagens de autocaravana.

Despedimo-nos e as irmãs ainda nos ofereceram um pequeno círio perfumado para nos acompanhar na viagem.

Próximo destino, a cidade de Vitória Gasteiz.

Dirigimo-nos para a área de serviço de autocaravanas existente na cidade onde passámos a noite.

N 42° 52´00´´

W 2° 41´08´

A área de serviço fica dentro do espaço urbano, mas para maior comodidade podemos usar os transportes públicos. A paragem do metro de superfície fica a uns 200m na direção nascente e o bilhete para o centro custa 1,35€.

Vitória é uma cidade quase milenar, foi fundada pelo Rey de Navarra, D. SanchoVI, no ano de 1181. Muitas foram as vicissitudes históricas e sociais que aconteceram nesta cidade e na visita que fizemos, bem podemos dar nota de todos estes acontecimentos.

A cidade é propicia ao uso da bicicleta, apenas a zona antiga fica numa pequena colina. Os muitos espaços verdes em redor da cidade podem ser descobertos usando a nossa amiga de duas rodas. Passagem pelo posto de turismo para se obterem as informações destinadas á visita e fomos descobrir o passado desta cidade no centro do País Basco.

 Com a informação obtida no posto de turismo, lá fomos percorrendo as ruas, descobrindo as curiosidades ligadas á história da cidade.

     

       

O almoço foi num restaurante da parte antiga da cidade, menu de 12€ composto de entrada, prato principal, sobremesa, bebida, pão e café.

Em Espanha e França optamos sempre pelos menus anunciados á entrada dos restaurantes, ao contrário de Portugal, o menu nestes países, são os pratos do dia, portanto o que de mais fresco o restaurante tem para oferecer. Para a tarde ficaria a visita á Catedral.

      

Usar capacete de proteção para se poder visitar uma catedral?

Já iriamos conhecer qual a causa desta necessidade…

Foi iniciada a construção da Catedral de Santa Maria da Vitória no estilo Gótico  em pleno séc. XIII, e só viria a ser terminada no século seguinte.

Construída como catedral fortaleza, ainda conserva o caminho de ronda das muralhas que defendiam a cidade.

Com graves problemas de conservação em grande parte por causa das muitas alterações que sofreu ao longo dos séculos, está a ser objecto de grandes obras de consolidação. Estava explicado o porquê do capacete!

O mais curioso da visita é que percorremos lugares da catedral que normalmente não estão ao alcance do publico. Como a catedral foi construída aproveitando o pano de muralhas da cidade, vamos subindo e descendo, por entre as paredes ocultas na abóboda e tecto da catedral.

Quanto mais a visita se desenrolava nas entranhas da catedral, mais a nossa curiosidade se ia adensando sobre qual o próximo ponto a visitar.

     

A simpática guia ia explicando toda a história ligada a estas vetustas pedras e aconselhamos que procurem este endereço na net para também ficarem a conhecer a história da Catedral de Santa Maria de Vitória.

http://youtu.be/3YI8MN59uls

Terminámos a visita no pórtico da entrada principal que por curiosidade está protegido a norte por uma parte da antiga muralha. Tantas curiosidades que foram encontradas nesta visita, muito beneficiada pelos conhecimentos de história de arte da guia que nos acompanhou.

Continuámos a visita pela zona histórica da cidade

E terminámos á sombra das árvores que ladeiam a área de serviço das autocaravanas que o calor era muito e uma “mine” sabe sempre bem.

O entorno urbano da área de serviço proporcionaram uma noite agradável, malgrado o muito calor que se fazia sentir, mas a sensação de segurança permitiu abrir as claraboias e janelas de forma a sentir um pouco do fresco noturno. Cuidado com os sistemas de rega… a meio da noite entram em funcionamento…

A viagem seguiu na direção do Monasterio de Santa María de Estíbaliz, considerado um dos monumentos mais importantes da arquitetura medieval do “País Vasco”.

Fica por perto da cidade de Vitória e as estradas até lá não oferecem dificuldade.

Este mosteiro românico, surpreende pela arquitetura da sua construção, é notável o pórtico de entrada datado do ano 1200,

     

Ao visitar este testemunho da arte românica, sentimos um clima espiritual único, certamente ligado aos muitos anos da pratica religiosa aqui ministrada. Nas novas instalações, alberga desde 1923 uma comunidade beneditina,  que providencia abrigo e refeições aos Peregrinos de Santiago.

Numa das paredes do novo mosteiro, encontrámos um campo de Pelota Basca, onde um pai iniciava o filho na prática deste desporto tão presente nas localidades Bascas.

Continuámos o nosso caminho percorrendo a rota dos Caminheiros de Santiago

O poiso seguinte foi uma pequena paragem na localidade de Alegria.

Um pequeno passeio pelas ruas históricas, o calor apertava e depois do almoço havia que procurar paragens mais frescas…

    

 Chegados á localidade de Agurain/Salvatierra, encontrámos a área de serviço para autocaravanas, bem sinalizada mas fica um pouco afastada da zona histórica, decidimos estacionar junto ao “Casco Histórico”.

N 42° 51´05´´

W 2° 23´17´

O acesso pedonal ao centro é muito fácil, passa-se junto ao Passeio das Freiras, que acompanha a muralha que envolve a cidade e entramos por uma das portas medievais. A quantidade e imponência das casas brasonadas que ladeiam as ruas, mostram a importância desta localidade como encruzilhada de caminhos desde os tempos mais remotos.

Os testemunhos históricos que se podem descobrir numa visita mais demorada, transportam-nos desde as vias de transumância de á mais de cinco mil anos marcadas pelo Dólmen de Sorguineche, em Arrizala, erigido num dos pontos de confluência das rotas que o gado percorre  na alternância dos pastos estivais e de inverno, ainda hoje usada, até ao fim do senhorio dos Ayala, marcado pela execução do Conde de Salvatierra Pedro López de Ayala que se teria sublevado contra o Imperador Carlos I Absburgo. Histórias que parecem distantes mas que se passaram muito perto do nosso reino, a descobrir pelos mais interessados por estas vidas passadas. Nós continuámos a nossa visita percorrendo as ruas, visitando o posto de turismo para se obter informações sobre os caminhos da nossa viagem, apreciando a arte de cerâmica presente nas paredes da cidade

Dentro do casco medieval amuralhado encontram-se três ruas, duas que como os nomes indicam seriam o centro da vida comercial, a da “Carniceria” e a “Zapatari” a terceira a mais importante e que conserva os edifícios de maior interesse histórico, a “Mayor”, sempre recebeu este nome, as casas que a ladeiam são um muito bom exemplo da arquitetura medieval urbana.

No posto de turismo é fornecida informação sobre as muitas igrejas a visitar, a história das famílias que habitaram estas casas, e sobre muita da vivencia nesta localidade do País Basco.

                            

O fim de tarde estava próximo e decidimos pernoitar em Uharte-Arakil, uma pequena localidade próxima, que teria uma área de serviço. Esta não estava ainda em funcionamento e a praça central acabou por ser o local escolhido para passar a noite.

N 42° 55´12´´

W 1° 58´06´

Tudo tranquilo, a “panaderia” próxima forneceu o necessário para o pequeno almoço, o cafezinho local, repôs os níveis de cafeína, estava na altura de escolher o destino seguinte.

A nossa viagem pelos Pirinéus, a caminho da volta a França em bicicleta, estava a mostrar-se repleta de visitas que certamente ficariam nas nossas memórias pelos motivos mais agradáveis.

E agora para onde seguiríamos?

Estava decidido a próxima paragem seria…Álcool, Música e Touros, vamos para Pamplona!

Estacionar em Pamplona, durante uma das festas mais populares em Espanha, pode ser complicado, umas voltas pela cidade, e pouco depois, já estávamos a desligar o motor da autocaravana.

N 42° 48´04´´

W 1° 38´24´

Uma área muito grande de estacionamento, que possibilita o acesso a pé ao centro da animação, perto de uma gasolineira da Cepsa que vende produtos alimentares, pode dar jeito, autocaravanas fechadas e trancadas,  vamos para a festa.

Uma paragem dos transportes públicos da cidade mesmo junto á bomba de gasolina, possibilita um acesso muito cómodo á zona central de Pamplona.

    

Toda a cidade vestida de branco e com um lenço vermelho. Esta festa em honra do santo padroeiro San Fermín, junta todos os anos muitos milhares de pessoas aos habitantes de Pamplona, não para rezar e acender velas, bom… talvez um pouco de devoção sim, mas essencialmente para cantar, beber muito, dançar e fugir aos touros no “encierro”.

 No inicio de cada dia das festas é lançado um foguete que dá inicio á mais louca corrida de touros do planeta. Os touros que vão ser corridos nesse dia na Praça de Touros de Pamplona a “Momumental”, encabrestados com as vacas taurinas, percorrem as ruas históricas da cidade numa loucura de adrenalina á solta, protagonizada por pessoas de todo o mundo que acorrem ás Festas de Sam Fermín.

     

Nós deixamos para outros loucos o encierro, mas não deixámos de percorrer as ruas onde se desenrola este acontecimento retratado por muitos vultos da cultura mundial como Ernest Hemingway, que na sua obra “The Sun Also Rises”, mostrou ao mundo a “Fiesta”.

Já tinha estado em Pamplona por ocasião de outras festas de San Fermín, ver a viagem: “Por Caminhos de Santiago” neste site, mas não se consegue ficar indiferente a este ambiente que só a cultura Espanhola consegue criar.

Musica… muita!                                     Álcool…MUITO!                                                  Touros…ficariam para outros!

       

Recordações que guardaremos para sempre, e que certamente nos farão regressar um dia a Pamplona. Para aqueles que nunca tiveram a possibilidade de visitar esta cidade durante as festas, marquem nas vossas futuras viagens de autocaravana uma passagem por esta cidade, não esqueçam as roupas brancas, o lenço podem comprar por lá e divirtam-se!

A nossa viagem continuou com passagem por Sangüesa uma pequena mas histórica localidade no Caminho de Santiago.

Existe um parque de campismo quase dentro da vila, nós estacionámos numa rua do centro e pouco depois já se fazia amizade com os padeiros locais, dois irmãos portugueses, á muito radicados por estas paragens.

 Localizada junto ao “Río Aragón”, tem testemunhos da sua ocupação desde a idade do Bronze, muitas manifestações da presença romana são encontradas no seu território, na idade média a sua história perde-se por inúmeros confrontos com os mouros e perlongadas disputas pelas suas férteis terras.

Caminhar pelas ruas desta antiga vila é recuar a épocas distantes, os testemunhos da sua história vão-se sucedendo, mas a sua principal atração é a “Santa Maria La Real”, obra religiosa do período românico tem na sua portada aquela que é considerada a verdadeira “Joya del Románico Español”.

A entrada é paga sim senhor…

    

O que se paga á entrada é perfeitamente recompensado pela forma como a visita é feita. Uma apresentação audiovisual vai percorrendo as paredes da Igreja mostrando os seus aspetos arquitectónicos, realçando as obras religiosas presentes, situando cada peça no seu contexto histórico. Nunca tínhamos visitado uma edificação religiosa com uma apresentação tão dinâmica, e já temos muitas no nosso ativo, recomendamos!

No exterior não se pode perder a visita á porta principal onde o românico aparece em todo o seu esplendor, centrando a sua temática no juízo final e no triunfo de Cristo.

Continuamos a nossa visita pelas ruas medievais onde desde o século X ao XIII as ordens religiosas fundaram os seus conventos.

Regressámos ao século XX, e o almoço foi no parque de estacionamento do supermercado local, que providenciou a abastecimento do frigorifico para as etapas seguintes.

Próxima paragem Javier.

Esta foi mais uma daquelas surpresas que as viagens nos oferecem,

Foi a nossa curiosidade que nos levou até aqui, o que descobrimos surpreendeu-nos.

Em pleno século X, durante as escaramuças dos recém criados reinos cristãos navarro-aragoneses, foi edificada uma torre de vigilância para defender o vale do rio de Aragão. No século XIV, o recinto em volta da torre é amuralhado e reforçam-se as suas defesas. Por esta altura é já um verdadeiro castelo que pertence á família Maria de Azpilicueta a mãe de “San Francisco Javier”.

Aquele que viria a ser considerado como um Santo da Igreja, nasceu em 7 de Abril de 1506, numa ala do castelo onde hoje se ergue um santuário que homenageia a vida deste homem. Aos 19 anos parte para Paris para estudar na Universidade de Sorbonne. Aí conhece Inácio de Loyola, e a sua vida muda radicalmente. Em 1541 movido pela sua fé, empreende uma viagem de onze anos que o levará á India e Extremo Oriente, Indonesia, Japão e China, onde viria a perder a vida.

Figura controversa da Igreja pelos métodos usados na conversão ao cristianismo, mas a sua obra é imensa e reconhecida nestas paragens.

Dentro do castelo hoje convertido em museu sobre a vida do santo, fomos encontrar uma exposição muito interessante, sobre o percurso da sua atividade religiosa e a figuração religiosa que esta personagem da Igreja inspira.

                       

 

O museu, o castelo, e o parque envolvente onde podemos encontrar um posto de turismo, hotel e serviço de cafetaria, fazem deste local uma visita a recomendar, para mais informações consultem o site:

http://www.santuariojaviersj.org

O dia estava a terminar mas ainda tivemos tempo para visitar um mosteiro que nos tinha despertado a curiosidade ao consultar os folhetos turísticos, “Monastério Leyre”.

Uma subida íngreme mas acessível a qualquer veiculo permite aceder aos parques de estacionamento.

                       

Panteão dos primeiros Reis de Navarra, situado na serra que lhe dá o nome, a Abadia de São Salvador de Leyre tem as suas origens no século IX. Nos séculos seguintes até XIII, atinge o seu máximo esplendor chegando a controlar  o movimento cultural, político e espiritual de Navarra.

A porta de acesso á cripta é a primeira e mais antiga do mosteiro. É formada por três arcos de volta perfeita sobrepostos e de uma arquivolta irregular chanfrada.

Esta viagem estava a tornar-se uma grande lição sobre a história do românico, mais um exemplo perfeito desta arte arquitectónica.

A cripta começada a construir no ano 1000, tem a particularidade de não servir de lugar de enterramento dos monges mas ser um reforço dos alicerces da estrutura superior a Igreja do mosteiro

Os capiteis enormes presentes na cripta destinados a suportar a cabeceira da igreja com uma decoração muito simples, conferem á cripta uma identidade que a torna o lugar mais visitado de todo o conjunto do mosteiro.

A visita continua com a descoberta de noutras particularidades, como o túnel que permitia o acesso dos monges á cripta sem passar pelo exterior.

Muito mais se poderia contar sobre a visita a este mosteiro, a sua localização com uma paisagem fantástica sobre a barragem no sopé da serra, o mosteiro ainda hoje em atividade e ocupado por frades da ordem de São Bento, o canto gregoriano que ainda pode ser ouvido na liturgia, o Hotel-Hospedaria, e muito mais que podem encontrar ao consultar o site do mosteiro

http://www.monasteriodeleyre.com

A nossa viagem continuava pelas estradas de Navarra.

                                   

 O nosso destino desta tarde seria a cidade de Jaca.

Chegámos ao fim da tarde, já o Sol ia desaparecendo no horizonte mas foi fácil encontrar a área de serviço de autocaravanas marcada no GPS…

-Ó diabo está em obras!

Não foi problema, e logo se arranjou por ali um lugar para se estacionar, era quase o “buraco da agulha”, mas para condutores experimentados…

N 42° 34´ 06´´

W 0° 32´ 41´´

Mesmo ao lado da área de autocaravanas que pelas obras, parece que vai ser um luxo!

A noite tinha chegado, estava na altura de se preparar o jantar.

Depois seria ficar a conversar com a companhia de um café, sobre um dia que nos fez gostar cada vez mais do autocaravanismo…

Novo dia…

Saindo da área de serviço o acesso ao centro histórico é muito fácil, atravessa-se um pequeno parque na direção poente, sempre a subir, nada que não possa ser feito em dez minutos de calmo passeio.

Situada no inicio das montanhas dos Pirinéus onde foram mantidos territórios cristãos após a invasão dos mouros, Jaca era no inicio do século XI, um acampamento militar com pouca população civil, mas o facto de estar perto da “Rota para Somport” , uma das mais acessíveis para França na Idade Antiga, e no Caminho de Santiago via Pamplona, foi atraindo durante o inicio da Idade Média mais população e ganhando importância estratégica. Ao passearmos pelas suas ruas podemos encontrar os testemunhos deste passado.

Conhecer o passado, será possivelmente a melhor forma de prepararmos o futuro, nos dias que vamos vivendo onde impera o consumismo fácil e a depreciação das identidades regionais, tem para nós cada vez mais importância, a visita de lugares onde se possa sentir a individualidade dos povos. Nesta cidade os monumentos que a atestam a sua história são muitos, mas o mais importante e de certa forma o que nos levou a visitar Jaca é a “Catedral de San Pedro de Jaca”.

Começada a construção em 1077 por ordem do rei Sancho Ramirez, quase ao mesmo tempo que começava a ser edificada a Catedral de São Tiago de Compostela, foi sofrendo ampliações e modificações ao longo dos séculos, mas continua a ser um dos templos mais importantes do primeiro românico espanhol.

  

Vamos deixar para a vossa visita a esta cidade, a descoberta da história que se explana pelas suas paredes, mas a nossa curiosidade centrava-se na visita ao museu que esta catedral encerra o “Museo Diocesano de Jaca”

www.diocesisdejaca.org

A dificuldade de comunicações e o consequente isolamento que estas regiões dos Pirenéus viveram, fizeram com que o paganismo se estendesse pela Idade Média. A cristianização na sua tentativa de conversão destes povos encontrou na figuração a melhor forma de levar a Boa Nova a todas essas gentes. As capelas cobriram-se de frescos onde se retratavam cenas religiosas procurando assim a sua evangelização.

Neste museu vamos encontrar uma recolha da arte sacro-medieval dos séculos XI ao XVI, provenientes de diversas igrejas da diocese de Jaca.

   

Não compreendemos muito bem a forma como os frescos eram retirados das paredes originais e recolocados nas paredes do museu, ficará para próxima visita, mas ficámos deslumbrados com o trabalho feito e apresentado. Fomos percorrendo a exposição, até chegarmos á Sala Bagües… aqui fica a partilha das imagens, não temos palavras para descrever a sensação que tivemos ao contemplar aquelas imagens…

https://youtu.be/lQ0Z3ctmp6Q

 Outras curiosidades vamos encontrando pela exposição multimédia do museu…os sinos das aldeias, a sua importância na comunidade, o seu som, os vários toques que marcavam o quotidiano, tudo pode ser experimentado e ouvido numa secção dedicada este instrumento de percussão.

Não se sai da catedral sem uma demorada visita a este lugar que está candidato a património da humanidade.

Regressámos ás ruas de Jaca e continuámos a nossa visita pela cidade, agora á “Ciudadela de Jaca”, esta construção militar datada de 1592, com uma planta pentagonal, é a única fortaleza do século XVI que se conserva integra no mundo. O Museu de Miniaturas Militares que se visita no seu interior, certamente será um ponto alto da visita para aqueles que se interessam por esta forma de modelismo.

Estava na hora do almoço, e a muita oferta em redor da Cidadela, certamente que iria permitir encontrar o lugar certo para experimentar a gastronomia local.

O Restaurante Biarritz com menu a 12€, foi uma boa escolha. Entradas, prato principal de cabrito aragonês, creme catalão, café e vinho…será que se pagou caro?

As ruas da cidade com os seus monumentos, não deixar de visitar a Torre do Relógio, proporcionaram um agradável passeio pela tarde…

Até que chegou aquela hora em que uma esplanada e uma cerveja, permitem refletir sobre tudo o que se tinha visto, para mais com uma vista para uma das portas da catedral com uns capiteis românicos que preenchiam o nosso imaginário medieval.

                                   

  A noite foi chegando e com ela a iluminação dos monumentos. Depois do jantar não pudemos deixar de fazer um passeio noturno para ajudar á digestão, e também para irmos descobrindo pormenores que nos tinham escapado durante o dia mas que agora sobressaiam com a iluminação.

Regressámos ás autocaravanas com a ideia de um dia regressar a estas terras do começo dos Pirenéus, pois  as recordações que levávamos desta visita eram muitas e gratas.

Novo dia novas visitas, e agora a caminho de “San Juan de la Peña”.

Possivelmente aqueles que nos acompanham por estas páginas não conhecem este lugar, nós também não conhecíamos,  e tinha sido uma fotografia num roteiro turístico que nos tinha despertado a curiosidade. Fica por perto da cidade de Jaca, a estrada de acesso é sempre a subir, estreita nalguns troços do caminho, tem alguns precipícios junto á berma, mas nem pensem em desistir, primeiro porque não têm lugar para inverter a marcha, depois porque iriam perder uma das visitas mais interessantes que se fazem por estas paragens.

Vencida a subida somos encaminhados para um parque de estacionamento sob as árvores e com zonas delimitadas, cuidado com os troncos mais baixos, não procurem outras áreas para aparcar, é proibido.

Por lá encontrámos outros companheiros espanhóis que já estacionavam as autocaravanas, todos se dirigiam em passo apressado para uma zona de entrada do parque.

Foi fechar os veículos e seguir os restantes visitantes, lá estava uma paragem do veiculo que nos iria levar até ao Mosteiro de San Juan de la Peña. Primeiro tem de se comprar o bilhete junto ao mosteiro novo.

    

O mini-bus rapidamente fica cheio, o percurso até ao mosteiro mais importante no Reino de Aragão na alta idade média, é feito em pouco tempo embora o facto do condutor ir a falar consecutivamente no intercomunicador nos deixar um pouco… é que as curvas são mesmo apertadas…mas logo somos recebidos por uma guia que com a sua simpatia nos organiza a visita.

Um grande vulto das letras espanholas  Don Miguel de Unamuno, escreveu umas palavras que descrevem o que iriamos visitar, como só os poetas conseguem encontrar as palavras para descrever o inimaginável…

A boca de um mundo de penhascos espirituais revestidos de um bosque de lenda, no qual os monges beneditinos, meio ermitãos, meio guerreiros, veriam passar o inverno enquanto pisoteavam a neve javalis de carne e osso, saídos dos bosques, ursos lobos e outros animais selvagens…

Encastrado num rochedo de grandes dimensões, este mosteiro cuja origem é anterior ao século XI, só em 1026 conhece uma construção de grandes dimensões por iniciativa de Sancho o Grande.

     

A sua arquitetura, a sua localização, a história que foi vivida dentro das suas paredes, serviu de Panteão Real a reis de Aragão e Navarra, as muitas lendas que o envolvem, o Santo Graal terá permanecido neste mosteiro, levam o nosso imaginário muito para além das explicações que a guia nos ia dando sobre o que íamos descobrindo durante a visita.

Aconselhamos a que nesse deposito de imagens que se chama YouTube procurem este endereço:

San Juan de la Peña

 A visita tinha de terminar outros grupos iriam começar a descoberta destes tesouros arquitectónicos e históricos, nós regressamos á zona do mosteiro novo onde se podem encontrar um museu, loja de recordações e um restaurante. Decidimos retomar a estrada e ir almoçar numa localidade no começo da subida para o mosteiro “Santa Cruz de la Seros”

  

Várias construções de origem religiosa do século XI, emprestam um ambiente muito medieval a esta pequena localidade.

O dia do encontro com a caravana ciclista do TOUR 2015 estava a aproximar-se, havia que continuar a “fazer estrada” na direção dos Pirenéus Franceses. O nosso caminho através das montanhas seria pelo “Valle de Roncal”.

A vila de Roncal / Erronkari, oferece uma paragem muito agradável no percurso, a sua igreja com uma situação de domínio sobre os telhados de pedra das antigas casas, com uma população que encontrava na pastorícia e extração de madeira os proventos da sua existência. O queijo de Roncal ainda hoje goza de grande fama.

Mas também as vidas vão mudando por aqui e agora o sky, o trekking, o turismo de montanha vão alterando a paisagem.

   

Aqui uma visita a um viveiro de trutas…

Continuámos a percorrer as estradas do vale até ao local onde iriamos pernoitar a vila de Isaba.

N 42° 51´46´´

W 0° 55´20

O parque é ligeiramente inclinado, nada que uns calços discretos (os meus são pretos)não resolvam, e não convém chegar muito tarde especialmente na época alta.

Antes do jantar ainda havia tempo para uma visita á localidade.

Esta é a principal povoação do Vale de Roncal. As suas típicas casas de montanha onde predomina o revestimento de pedra, encerram uma comunidade muito ciosa das suas tradições.

   

A “Caza de la Memoria de Isaba”, localizada no núcleo urbano em pleno posto de turismo, dá conta da história, costumes e formas de vida tradicionais do Vale de Roncal.

Visita que nos faz perder … ou ganhar tempo, atravessando as cortinas das histórias de vida das gentes de Roncal

                                                        

 

Já a noite caia quando regressámos á autocaravana para o jantar.

Noite tão calma que nem o sino da igreja conseguia perturbar, talvez os sonhos andassem pelo mosteiro beneditino de San Juan acompanhando os peregrinos, que os monges acolhiam junto das suas fogueiras…

O dia amanheceu com um sol esplendoroso e foi com entusiasmo que iniciámos a subida da montanha para o nosso destino deste dia, seria já no lado francês “La Pierre de San Martin”, a 1760m de altitude.

Finalmente a  VOLTA A FRANÇA EM BICICLETA

Os dias seguintes iriam ser preenchidos com muitas emoções…

Venham na nossa companhia pela viagem

 

“ESTIVEMOS NO TOUR DE FRANÇA”

 

FIM

 

 

 

 

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