ESTIVEMOS NO “TOUR DE FRANCE”

ESTIVEMOS NO  “TOUR DE FRANCE”

 

ESTIVEMOS NO TOUR DE FRANCE

 

Volta à França em Bicicleta… tantos anos a acompanhar as transmissões televisivas, e sempre a promessa que fazia a mim próprio… Para o ano vou de certeza!

Mas de certezas ia ficando o inferno cheio, até que chegou a oportunidade de cumprir este sonho…

Foi assim que começámos a descrição desta viagem para acompanhar o Tour de France, na nossa viagem

A CAMINHO DOS PIRINÉUS ESPANHA 

E que podem encontrar nas páginas deste site.

Vamos então subir as montanhas, para assistirmos à passagem da caravana da Volta a França em Ciclismo.

O dia amanheceu com um sol esplendoroso e foi com entusiasmo que iniciámos a subida da montanha para o nosso destino deste dia, seria já no lado francês “La Pierre de San Martin”, a 1760m de altitude.

As paisagens eram grandiosas…algumas paragens para as fotos.

Mas já se começava a viver o ambiente do Tour e acabávamos por fotografar os ciclistas que iam subindo a montanha…

Passámos o alto da montanha, e começámos a procura por um lugar de estacionamento, a estrada do Tour seria aquela e ficaria fechado á meia noite desse dia. Já estava quase tudo cheio, os melhores lugares ocupados á dois dias ou mais… nós lá fomos devagarinho experimentando todas as bermas da estrada até que conseguimos estacionar a 2 Km da meta, mesmo em cima do asfalto, exatamente como sempre sonhei que seria a minha estadia no Tour de France.

Estacionamento feito, fomos explorar a zona. Verificámos que são organizadas zonas de apoio com despejo de sanitas químicas, água e sanitários, vários pontos de restauração, onde rapidamente se geram convívios entre as muitas nacionalidades que por ali vão aparecendo.

Aqueles que estejam a pensar, por o motor da autocaravana a trabalhar e ir ver o Tour, se pensam que vão só ver ciclistas… esqueçam!

Isso é apenas uma pequena parte da viagem o que vai ficar nas vossas recordações é todo um mundo de FESTA, CARNAVAL, CONVIVIO, LOUCURA, á e muitos ciclistas claro, todos a subir ou a descer as montanhas alguns com as máquinas mais estranhas que já tínhamos visto.

   

A pouco e pouco todos os pequenos espaços eram ocupados, alguns faziam milagres no equilíbrio das autocaravanas…

Outros beneficiando do facto de já lá estarem á vários dias iam “gozando” o espetáculo, e tudo num ambiente de camaradagem e bom humor!

Um pouco á nossa frente estaciona um pequeno carro com um casal de septuagenários…colchões, cadeiras, mesas…

-Será que vão dormir ali? Vamos lá ver se os podemos ajudar…

-Obrigados mas não precisamos de nada, acompanhamos todos os anos o Tour, fazemos muitas etapes e até tenho aqui uma sanita química portátil…

Iriamos encontrar este espírito  ao longo da nossa estadia no Tour. Quando alguns amigos dizem… Eu até gostaria de ir…mas não dá jeito, os miúdos são pequenos…dormir numa tenda? E á noite faz frio? Onde vou lavar a cara?…

Por aqui, casais com miúdos de colo, nas bicicletas, a dormir em tendas a 1700m de altitude, a fazer o comer na berma da estrada…

Mas tudo num ambiente de festa e camaradagem!

Pouco depois começaram a passar os TIR para montarem a estrutura do TOUR na zona da meta.

Elementos das equipes que veem reconhecer o percurso.

Um companheiro autocaravanista francês que adora Portugal e os Portugueses, o melhor povo da Europa segundo ele, e no Outono já vou de novo para a vossa terra dizia ele muito contente!

     

Conforme o dia ia avançando a paisagem da janela da autocaravana também ia mudando.

E pensava eu que tinha um bom lugar para ver passar a caravana ciclista…

Em Roma se como os romanos… e pouco depois já esquecido do nosso lugare,  misturávamo-nos com a multidão que ia aumentando, mas se a estrada estava fechada desde a meia noite da véspera, e não se podia transitar de carro de onde vinha tanta gente?

Começava a passar a caravana publicitária, aparece umas duas horas antes dos ciclistas, e começava a loucura total.

Toda a gente a correr ao lado dos carros publicitários tentando apanhar os brindes que eles vão lançando…

A passagem destes carros constitui um ponto alto do Tour, e são de facto muito curiosos pela sua decoração e alegria que transmitem a todos aqueles que assistem.

 

Cada vez mais gente, mas de onde vêm eles?

Aqueles que pensam que vão ficar dentro das autocaravanas a assistir ao Tour com as parabólicas até á passagem dos ciclistas…esqueçam! Ninguém consegue ficar sem participar no desfile publicitário!

E demora… muito tempo, são inúmeros os carros publicitários e alguns muito cómicos!

 Toda a gente quer ficar com um brinde, acaba por ser um pequeno troféu da presença no Tour.

Os ciclistas estão quase a passar…

LÁ VEEM ELES!!!!!!!!!!!

E se a animação já era muita com a passagem da caravana publicitária, com a aproximação dos ciclistas foi o delírio.

Podemos ver na televisão, mas não se consegue ter a percepção de tudo o que se passa naqueles momentos se não estivermos no meio de toda aquela agitação, quase que chamaria loucura.

A ultima rampa da etapa tinha 7Km, nós estávamos em cima da marca dos últimos 2KM, os ciclistas já vinham a pedalar á mais de 160KM com vários “cols”, prémios de montanha como eles lhes chamam, a ultima subida tinha 15Km com uma inclinação média de 7,5%, mas quando apareceram parecia que tinham começado a etapa ali…mais uma vez digo que na televisão não se consegue ter a ideia do ritmo de pedalada que os “artistas” conseguem nestas provas de montanha.

 

O Froome tinha atacado a 6Km do sitio onde estávamos, já vinha isolado, era a loucura total toda aquela gente a correr, a gritar, a tirar fotos com os telemóveis encostados á cara do ciclista, as motos a apitar, palmas, assobios, bandeiras…

O Froome aos gritos para saírem da frente…

   

AQUILO ERA MESMO A VOLTA Á FRANÇA EM BICICLETA!!!!

 Sentados nos nossos sofás, a beber uma cerveja e a ver a televisão, não podemos fazer juízos de valor sobre o que por ali se passa…tinha vivido a emoção de ver passar o Tour ao vivo e já estava cheio de vontade de ir para a etapa seguinte!

Espera, ainda faltam passar muitos ciclistas, vamos continuar a divertirmo-nos com a festa!

 

 Sair dali… é que pode ser um problema!!!

-Está ali um da organização, a dizer que a estrada só vai ser reaberta a partir das 21h…

– O quê? já estamos fartos de estar aqui e temos de ir para a etapa seguinte, para ver se arranjamos lugar para estacionar.

– Já estão a começar a descer os TIR da organização e as autocaravanas das equipas também, aproveita aí esse espaço e vamos atrás deles…

É o que acontece a quem quer estacionar perto da meta das etapas de montanha, têm de esperar que seja desmontado todo o aparato da linha de chegada.

Nós lá seguimos a fazer de conta que os policias não olhavam para nós…as placas de indicação do trajeto da prova, que tínhamos “achado” e  mostradas no para-brisas, talvez tenham ajudado.

Muitos ficaram para a noite e só sairiam no dia seguinte, é necessário preparar com cuidado as deslocações e os locais de estadia durante as etapas. Nas com mais procura, as de montanha, estacionar com dois dias de antecedência se quiserem ficar no centro da ação.

Nas etapas em linha a estrada abre a seguir á passagem da caravana, permite seguir para a etapa seguinte que poderá ser de montanha, se conseguirem chegar antes do fecho da estrada. Se tiverem levado as bicicletas podem estacionar fora da zona de subida e sair sem problemas.

Nós seguimos para a simpática vila de Arette, que a noite já caia e as emoções do dia tinham sido muitas. A estadia foi agradável aproveitámos a área de serviço desta localidade e á noite ainda estivemos no salão comunal a ver no ecrã gigante o resumo da etapa.

N 43° 05´40´´

W 0° 42´54´´

 

Na manhã seguinte seguimos para Plateau de Beille, fim da etapa do dia seguinte a 1780m de altitude.

A subida para o planalto onde terminaria a etapa, é decididamente o terreno preferido dos trepadores, a inclinação e extensão da subida certamente faria a diferença nos ciclistas do pelotão.

Sempre em 1ª e 2ª. Lá fomos subindo curva após curva até chegarmos á zona da meta, logo fomos encaminhados por elementos do Tour para um caminho de terra que ia terminar no cume da montanha.

O primeiro lugar que nos indicaram era muito inclinado e na conversa com um dos voluntários locais que apoiam a organização do Tour, reparamos que era português…

-E então não se arranja por aí um lugar um pouco melhor?

-Tenha calma e venha para esta zona é mais acima mas mais plana, é só para automóveis, mas fazem de conta que…

E lá ficamos bem instalados graças á simpatia do patrício.

-Espera lá mas quantas autocaravanas já estão por aqui?

-Epá isto já está cheio, estes companheiros devem ter chegado á dois dias, no mínimo!

E lá ficamos no meio de centenas de autocaravanas, tendas, automóveis e sei lá mais o quê…tudo servia de alojamento para os milhares de pessoas que por aqui estavam.

 O Sol ia desaparecendo no horizonte, mas não pensem que a coisa acalma, as fogueiras, os cantares, as gaita-de-foles, as trompetes, é toda uma animação que vai acontecendo a mais de 1760m de altitude.

Pela manhã tudo se preparava para a chegada da caravana publicitaria e dos ciclistas

Toda a noite os elementos da organização e os técnicos de montagem, levantaram uma estrutura que impressiona pelas dimensões.

Íamos aproveitando o tempo para as fotos que recordariam a nossa estadia por estas paragens.

Centenas de ciclistas vão subindo a montanha desde as primeiras horas da manhã.

E encontrámos o amigo Carlos, o homem que na véspera tinha desenrascado um bom lugar para o estacionamento. Como ele dizia…

 -Só espero que isto acabe para me pirar para Castelo Branco, todos os anos sou voluntário no Tour e depois… férias em Portugal, este ano até levo uma data de amigos franceses para ficarem a saber o que é boa comida!

Ás primeiras horas da manhã começam a ser colocadas cadeiras junto á meta, para marcar lugar.

Mas quando estava na altura do começo da FESTA, começa a cair uma carga de água como não via á muito, chuva e granizo.

Mas nada demovia o pessoal de assistir ao fim da etapa!

  

A consagração dos heróis…

Eu já tinha trocado de roupa pela terceira vez, mas a vontade de acompanhar tudo o que se passava… lá me fez enfrentar os rios que corriam pela montanha e estar no local da meta. É que chovia!!!

                                         

Os ciclistas do Tour chegavam completamente ensopados,  as equipas de apoio tentavam ajudar como podiam, é que eles ainda tinha de descer a montanha porque as autocaravanas de apoio das equipas, estavam no começo da subida.

Agora… desmontar tudo e seguir para a etapa seguinte.

É impressionante a quantidade de veículos de apoio que o Tour movimenta.

Todos abandonavam o Plateau de Beille, para o ano que vem tudo recomeçará.

Para todos os que pensam fazer a viagem de acompanhamento do Tour de France, lembro que as comunidades locais estão muito empenhadas em providenciar todo o apoio necessário para que se assista á prova máxima do ciclismo mundial, com toda a comodidade possível e em segurança, Neste local de estacionamento, havia pontos de fornecimento de água e de despejo das sanitas químicas, fornecimento de sacos de plástico para o lixo, e respectivos pontos de recolha, venda de pão itinerante, um supermercado local recebia as encomendas dos clientes via SMS e entregava no local de estacionamento em plena subida, pagamento em dinheiro. Estavam providenciados autocarros que nos dias de encerramento das estradas, transportavam os espectadores para os locais de prova, custo 2€, os serviços de bombeiros estão sempre presentes e prontos a responder em qualquer emergência médica, junto dos postos de turismo, é possível obter todas as informações necessárias sobre as estradas e serviços disponibilizados, para os mais comodistas, até se pode fazer a inscrição para se participar nas refeições que são fornecidas debaixo de tendas e próximo dos pontos mais importantes da etapas e no local de chegada.

Nós regressámos á autocaravana, estava na altura de fazer o jantar.

A noite foi de chuva forte e pela manhã quando todos tentávamos fazer sair as autocaravanas dos locais onde estavam estacionadas, a erva molhada e alguma lama dificultavam a operação.

Tão rápida como tinha chegado a chuva desapareceu, e foi já com um céu azul intenso, que começámos a descida para Ax les Thermes.

O caminho mais fácil para o regresso seria passar por Andorra e foi a opção que escolhemos, pouco depois já estacionávamos no parque de Pas de la Casa onde podemos encontrar uma área de serviço para autocaravanas.

O almoço foi a 2.400m de altitude…

        

 Depois é sempre a descer, passámos por Andorra a Velha e atestámos os depósitos no supermercado River, quase á saída de Andorra, e onde no parque de estacionamento da retaguarda, junto ao rio, existe uma área de serviço e possibilidade de estacionamento noturno para autocaravanas.

N 42° 27´12´´

W 1° 29º 10´

A saída de Andorra e os inevitáveis congestionamento de transito na fronteira.

-Compraram álcool ou tabaco em quantidade?

Perguntou a simpática guarda de serviço na alfandega, já tínhamos saudades de passar uma fronteira…

-Ó senhora agente isto aqui é tudo mais caro do que em Portugal e lá ainda é melhor…

E foi com um sorriso que mandou fechar as bagageiras e seguir viagem.

O nosso destino deste dia era La Seo dÚrgel. Localidade espanhola perto da fronteira com Andorra e onde se pode encontrar uma área de serviço e estacionamento para autocaravanas.

N 42° 21´30´´

W 1° 27´54´´

A manhã do dia seguinte, sábado, era dia de feira . As ruas encheram-se de tudo o que se pode encontrar nas feiras, mas curiosamente pela tarde tudo tinha voltado á rotina, nesta cidade que é a sede do Bispado de Urgel, coadministrador de Andorra em conjunto com o Presidente de França.

Uma curiosidade entre muitas que fomos encontrando pela feira, a banca de venda de bacalhau, o vendedor tinha era alguma dificuldade em cortar o dito, aproveitando os lombos…

  

Continuámos a nossa visita, a Seo dÚrgel, que se ia revelando uma cidade muito interessante.  O principal monumento que podemos encontrar é a Catedral de Santa Maria.

Construída no século XII, é considerada um exemplar único dentro da arte românica na Catalunha. Merece uma atempada visita, muito especialmente por estar instalado no seu interior o Museu Diocesano.

A visita ao claustro primitivo da Catedral no estilo românico

  

 A iconografia, notar a imagem de Nossa Senhora dÚrgel, padroeira da cidade

  

Ao percorrer o museu vamos encontrando peças de grande valor histórico e artístico, o sarcófago  relicário de San Ermengol datado de 1616.

O “Beatus de Urgel” cópia do Beato de Liébana do século X, com iluminuras alusivas ao “Comentario al Apocalipsis”, que merece uma sala única para a exposição, onde se assiste a um audiovisual sobre a histórias desta obra.

Muito fica por contar desta visita á Catedral e ao Museu Diocesano, mas certamente que voltaremos a esta cidade. A hora do almoço estava perto e decidimos regressar á autocaravana para o repasto.

O Café foi tomado numa das esplanadas da cidade…

Os feirantes tinham partido e a vida retomava os seus ritmos…

As praças voltaram a ficar vazias, aguardando o aparecer da noite para se encherem da habitual alegria da vida noturna espanhola…

Nós fomos até ao parque onde em 1992, durante os Jogos Olímpicos de Barcelona, Seo dúrgel recebeu o torneio de Águas Bravas. Hoje um centro de recreio náutico onde se continua a praticar a descida dos rápidos em Kayak.

Visitámos as instalações do parque e decidimos…beber uma cerveja na esplanada do centro náutico, de certeza que ficaríamos a seco e tinha WiFi livre e grátis!

Esta viagem estava a terminar, agora seria o regresso a casa…

Despedimo-nos com a certeza, que nos voltaremos a encontrar numa estrada por aí…

 

FIM

 

 

 

 

 

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