FEIRA MEDIEVAL E AÇORDAS NO ALENTEJO

FEIRA MEDIEVAL E AÇORDAS	 NO	ALENTEJO

Qualquer pretexto é bom, para viajarmos com a autocaravana pelo Alentejo. Este fim de semana em que se realizava a Feira Medieval em Vila Viçosa, e o congresso das Açordas de Portel, não houve lugar a hesitações. O destino estava escolhido. Na sexta-feira conseguimos sair, ainda o trânsito não estava muito intenso, passamos a Ponte 25 de Abril, autoestrada até Setúbal e a primeira paragem foi na estação de serviço do Jumbo. Localizada na A10, saída para Alcácer do Sal logo que termina a zona urbana, esta gasolineira permite beneficiar dos preços mais baixos que se praticam nestes pontos de venda dos combustíveis, que cada vez mais, pesam nos orçamentos das nossas viagens. Uma outra alternativa, é continuar mais um pouco na A10 e do lado contrário da estrada, encontrar o Intermarche, que também possui nas suas instalações venda de combustíveis. Esta opção é mais prática, se a primeira estiver com muitos clientes, pois o facto de ser no sentido sul-norte, normalmente, tem menos veículos a abastecer. Depósito cheio, estava na altura de continuar viagem. Olha que galinhas tão grandes! Não são galinhas, são avestruzes! E eram muitas, mesmo à beira da estrada, como se estivessem a ver passar os turistas. A herdade da Agualva à saída de Setúbal cria avestruzes.

Quando paramos a autocaravana para a foto das avestruzes, estas rapidamente desapareceram na paisagem alentejana, tornando-se pequenos pontos negros com pernas.
A próxima paragem foi no supermercado Intermarché em Vendas Novas. O estacionamento na parte da frente é difícil para autocaravanas, mas nas traseiras podem encontrar áreas amplas, para estacionar e reabastecer o frigorifico. Decidimos que a noite seria passada em Estremoz. Quando chegamos já a cidade dormia.

O estacionamento no Rossio, local habitual para pernoitar em Estremoz, proporcionou uma noite calma na companhia de outras autocaravanas, quase todas estrangeiras.

Acontece aos melhores, com tantos lugares para estacionar e de manhã o cenário era este.

O mercado que se realiza aos sábados de manhã junto ao largo do Rossio, encheu por completo o parque de estacionamento. Nós decidimos aproveitar para comprar alguns produtos que pela sua frescura enriqueceriam o frigorifico. O mercado vende de tudo um pouco, legumes, galinhas e coelhos vivos, pássaros e antiguidades

A manhã passou rápido e quando se abriu uma passagem para sairmos do estacionamento…seguimos viagem para Vila Viçosa

O nosso interesse por Estremoz, não se reduz aos mármores que tanta fama e proventos lhes tem trazido e estão patentes por toda a Vila.

A Pousada de Santa Isabel,, o Museu Municipal, o Centro de Ciência Viva, são alguns dos motivos que nos trazem a Estremoz e que se encontram relatados noutras viagens. Por agora damos um último olhar a esta Vila e seguimos viagem…

Chegamos a Vila Viçosa ao fim da manhã e o estacionamento foi feito no Largo Gago Coutinho, uma área ampla perto do Tribunal que costuma proporcionar noites calmas. N 38º 46’ 35” W 7º 25 ´14” Este local, muito perto de centro da Vila, cerca de 5 minutos a pé e do Mercado Municipal, é muito prático para a visita que pode ser feita . Mesmo o Palácio Real fica a 20 minutos a pé e pode ser um agradável passeio pela vila. Mas, o motivo desta viagem era participar na Feira Medieval. Decidimos deslocarmo-nos ao posto de Turismo que fica na Praça da República para obtermos informação sobre o programa das festas.

Já informados do que se passaria durante este sábado na Feira Medieval e, depois de consultados alguns menus dos restaurantes perto da Praça da República, decidimos por à prova os nossos dotes gastronómicos, com os produtos que tínhamos comprado em Estremoz. A oferta dos restaurantes era banal e a memória da frescura dos artigos comprados e dos enchidos artesanais foi mais forte. Almoço na autocaravana e partida para a Feira. Tomamos o café acompanhado do bolo tradicional de Vila Viçosa, as “Tibornas” na Pastelaria Azul, Praça da República, mesmo em frente da estátua da Florbela Espanca. Estava na hora de acompanhar a entrada de D. Dinis e da Rainha Isabel de Aragão na Vila. De repente, o que tinha sido um belo dia de Sol, transformase numa chuva intensa, que nem permitia que se usasse a máquina fotográfica. Uma pena que a intempérie venha defraudar os preparativos da festa. Tivemos que regressar à autocaravana para ir buscar os agasalhos para a chuva e, só então, podemos visitar a Feira Medieval.

A feira estava instalada dentro das muralhas do castelo mandado construir por D. Afonso III, que lhe concedeu a carta de Foral em 1270. No reinado de D. Dinis, foi dado um impulso definitivo para que fosse terminado, tendo sido na mesma altura terminada a cerca da vila. Pela importância de D. Dinis em Vila Viçosa, a feira Medieval abordava esta temática.

O anúncio do tratado de Alcanizes, pelo qual se marcavam as fronteiras entre o Reino de Portugal e o Reino de Castela D. Dinis decreta que que a língua portuguesa passe a ser usada como língua oficial da corte.

D. Dinis concede à Milícia de Homens de Armas de Vila Viçosa, a carta de privilégios do conto de besteiros. Mas eis que a chuva regressa em força. Todos tivemos de procurar abrigo e foi debaixo de um telheiro, que experimentamos algumas das ofertas dos comeres e beberes do Alentejo de antigamente.

Mas não havia como escapar à chuva, passamos pelo “Rei das Fogaças”, este está em todas e, já munidos da nossa fogaça, regressámos à autocaravana para um chá reconfortante. Tínhamos que decidir o que fazer durante o tempo chuvoso. A perspectiva de passar o resto do dia dentro da autocaravana não nos agradou e escolhemos a opção de um cartaz que tínhamos visto na estrada. Iriamos para o Congresso de Açordas do Portel.

Viagem com muita chuva até Portel e foi com uma sensação de conforto que deixamos para trás o mau tempo e entramos na tenda gigante que albergava o Congresso.

Uma agradável surpresa este Congresso de Açordas! Muito acolhedor, com uma pequena exposição de artigos regionais e demonstração de culinária ao vivo.

Estavam presentes alguns dos responsáveis pelo do que melhor se faz, no turismo gastronómico da região.

Tinhamos pela frente uma noite de açordas e de Fado.

Escolhido um dos restaurantes representados no Congresso, o “15ZÉ”, só nos restava esperar pela açorda de bacalhau.

Não nos impressionemos pelo aspecto, o paladar estava divinal, aquelas ervas… lembrei-me de um amigo alentejano que em conversa sobre as ervas usadas na cozinha do Alentejo me disse; “- Pois, mas isto das ervas, era porque não tinhamos mais nada para comer e estas sempre as apanhavamos nas ribeiras e nos valados…” O Fado já estava presente no palco montado no evento

Foi com a voz de Rodrigo que terminámos esta noite tão agradável.

Regressámos à autocaravana que estava estacionada junto aos Bombeiros e à GNR. Quando se entra no Portel podemos optar por estacionar entre o Tribunal e o Quartel dos Bombeiros, contorna-se pela esquerda, passa-se o tribunal e na primeira à direita encontra-se um pequeno largo onde se pode estacionar.

Estava cheio, não há problema, desce-se a rua e fomos estacionar junto ao Campo da Feira, mesmo em frente da GNR e dos Bombeiros. Esta estrada dá acesso ao Intermarché. Noite calma a permitir uma boa digestão das açordas… até às cinco da manhã, o quê??? outra vez a feira! Mas o tinto da noite anterior devia ser de boa qualidade, voltamos a adormecer e pelas 9 horas fomos comprar pão fresco ao supermercado, a 100m.

Depois do pequeno almoço, demos um passeio em busca do café da manhã. Vieram à nossa memória, a infância passada na aldeia, em que todas as pessoas se cumprimentavam, tão diferente da nossa vivência nas cidades…

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