Pela Extremadura Espanhola

Pela Extremadura Espanhola

JEREZ DE LOS CABALLEROS – ZAFRA – MÉRIDA GUADALUPE – TRUJILLO – PLASENCIA – CÁCERES

O Inverno não estava tão rigoroso como seria de esperar, a meteorologia indicava que os dias que se aproximavam, iriam ser de Sol, estava na altura de por o motor da autocaravana a trabalhar, e ir para a estrada. O companheiro de Braga, António Resende, parceiro de muitas outras viagens, tinha decidido rumar ao sul para nos acompanhar neste percurso, em que iriamos percorrer as estradas da “Extremadura Espanhola”.

Eu sairia de Cascais, o encontro seria em Évora, no local habitual de estacionamento e pernoita, o largo do Rossio, lugar de feiras e mercados da cidade, mas que proporciona fora das datas festivas, um agradável local para se estacionar as autocaravanas, fica muito próximo do centro da cidade.
N 38° 33’ 58’’
W 7° 54’ 30’’

Chegámos a Évora pelo fim da tarde, o companheiro Resende que vinha em viagem desde Braga, chegaria no dia seguinte, havia tempo para se passear pela cidade, há sempre algo para se descobrir em Évora…

O dia terminaria com uma visita á loja da “Rota dos Vinhos do Alentejo”. Situada na Praça Joaquim António de Aguiar, 20 no centro de Évora, muito perto do restaurante, o Fialho, oferece a possibilidade de provas dos vinhos Alentejanos, e de se ficar a saber muito mais sobre a sua produção. Podem ser marcadas visitas ás adegas produtoras.

Aproveitámos para reforçar a “adega” da autocaravana, com algumas garrafas que estavam com preços muito convidativos. A noite talvez embalada pelos vapores etílicos, foi passada num sono profundo. Pela manhã já tínhamos a companhia da autocaravana do António Resende.

Acordámos passar o primeiro dia da viagem passeando por Évora, e dedicarmos grande parte do tempo, á visita da Fundação Eugénio de Almeida.

Esta cidade património mundial merece sempre uma visita, descubram o Chafariz das Portas de Moura, construído em mármore da região, com a curiosa esfera de onde saem quatro bicas para uso humano, e o tanque para uso animal. Janelas manuelinas que se encontram, ao percorrer as ruas de Évora…

 

Do parque de estacionamento onde estavam as autocaravanas, é sempre a subir as ruas empedradas, até chegarmos ao ponto mais alto da cidade onde se situava o antigo castelo, e agora encontramos a Fundação Eugénio de Almeida.

Nesta visita fomos recebidos pela D. Ana, colaboradora da fundação á muitos anos, que com a sua simpatia e conhecimentos, nos fez descobrir uma família que apesar da grande fortuna que soube amealhar nunca descurou, a obra social em que foi pioneira, o desenvolvimento e inovação agrícola do território alentejano, a promoção da industria, e muito especialmente a cultura.

Fundada por Vasco Maria Eugénio de Almeida em 1963, a fundação reflete a filantropia e o mecenato, com uma grande sensibilidade para as áreas educativas e sociais, que foram apanágio da vida do seu fundador. No inicio da visita podemos ver um vídeo sobre a família, e alguns objetos do seu quotidiano, que permitem perceber a forma de vida desta classe social no século passado.

Continuámos a visita pelo Páteo de São Miguel, local de muitas ocupações marcantes da história da cidade de Évora, e residência da família.

Muito poderíamos descrever desta visita que aconselhamos, mas mais interessante, será consultarem o site da Fundação. www.fundacaoeugeniodealmeida.pt

Será certamente um complemento, para os conhecimentos e simpatia dos guias da vossa visita.

Fomos percorrendo as salas do Paço de São Miguel, com origens no período Romano-Visigodo, mais tarde Alcácer mourisco e que depois de muitas atribulações onde não faltaram a presença de grandes vultos da história de Portugal, foi transformado na residência familiar.

Estava na hora do almoço que iria ser no Restaurante São Domingos na rua das Amas do Cardeal, os “Pézinhos de Coentrada”, esperavam por nós, mas ainda tivemos tempo para visitar no edifício da câmara de Évora, as ruínas das termas romanas.

Construídas entre os séculos II e III da nossa era, foram descobertas em 1987 durante escavações na parte antiga do edifício da câmara, poderão ter sido o maior edifício publico da Évora Romana. Hoje podemos visitar o Laconicum, uma sala circular revestida com placas de mármore e que era usada para banhos quentes e de vapor. Certamente muito mais se esconde por entre as fundações destes edifícios pois sempre que por aqui se escava se encontram vestígios do passado.

O restaurante mais uma vez cumpriu com uma refeição tipicamente alentejana servida em quantidade e qualidade. Café tomada numa das esplanadas da Praça do Geraldo e fomos continuar a nossa visita á Fundação Eugénio de Almeida, agora iríamos visitar o Fórum, vocacionado para ações artísticas e culturais, localizado junto ao Templo de Diana.

Visitámos as exposições de arte moderna, sempre interessantes, nem que seja pela polémica que geram na sua interpretação…

E não podemos deixar de mais uma vez olhar para os frescos quinhentistas das Casas Pintadas.

As decorações da galeria do jardim do antigo Palácio da Inquisição, que servia de residência aos juízes do Santo Oficio, são um exemplar único da pintura palaciana da primeira metade do século XVI.

Se puderem participar numa visita guiada, a interpretação das figuras e o seu contexto, será muito enriquecida, mais algo a não perder numa visita a esta cidade Património da Humanidade.

Para nós terminava por aqui a visita, regressámos ás autocaravanas, para nos dirigirmos á área de serviço localizada no Inter-Marché de Évora. N 38° 33’ 9’’ W 7° 54’ 46’’

O destino para esse final de dia seria a vila de Monsaraz.

Estacionamento no local reservado para parqueamento de autocaravanas, não tem área de serviço, esta fica no inicio da subida para o castelo, na antiga estrada para Reguengos.
N 38° 26’ 33’’
W 7° 22’ 46’’

A paisagem sobre a barragem do Alqueva é fantástica!

Fim de tarde com um passeio pela vila, que nesta altura do ano tem poucos turistas… acabamos por ficar com Monsaraz só para nós.

Não percam o pequeno Museu do Fresco mesmo no centro da vila junto á igreja, onde podem admirar uma pintura do século XV representando uma alegoria da justiça terrena. Está nas paredes de um edifício com referencias documentadas a 1362…

No mesmo espaço, uma exposição sobre a vida rural no Alentejo, levounos a refletir sobre as grandes mudanças sociais após o 25 de Abril.

Jantar na autocaravana e passeio noturno pelas desertas ruas da vila de Monsaraz.

Pela manhã a viagem seguiria a caminho do museu do medronho em Alqueva.

De iniciativa particular, esta unidade turística engloba uma área de exposição, fabricação e venda, de produtos derivados do medronho. www.museudomedronho.pt

Para os apreciadores dos produtos destilados deste fruto, a bela aguardente de medronho, que não tem nada a ver com as aguardentes vinícolas, devem fazer uma visita a este museu sempre que se desloquem por estas paragens, eu não falho!!!

E um pouco de ciência fica sempre bem numa viagem…venham aprender tudo sobre o Arbutus unedo L., nome científico do medronheiro.

Depois desta pausa cultural, seguimos pelas estrada que bordeja a barragem do Alqueva até á vila de Mourão. Estacionamento no local habitual e visita ao castelo antes do almoço.

N 38° 22’’ 55’’
W 7° 20’ 22’’

Situada na margem esquerda do Guadiana já muito próximo de Espanha, a Vila de Mourão foi palco de confrontos violentos entre as forças Castelhanas e Portuguesas, hoje reina a paz de espírito que convida a outros confrontos…

Como os que acontecem na Adega Velha, restaurante de boa comida alentejana, onde nos confrontamos com pratos de comida regional onde os grandes tintos, e o Cante Alentejano que aparece de forma espontânea junto ao balcão de entrada, nos levam pelos prazeres do espírito e do físico.

Rua Doutor Joaquim José Vasconcelos Gusmão…qualquer pessoa que encontrem pela rua, logo indicará o caminho…

E Espanha ali mesmo ao lado, vamos lá passar a fronteira e começar a viagem por terras dos “nuestros vecinos”.

Na primeira vila, Vilanueva Del Fresno, paragem para comprar uma bilha de gás… mais de dez euros de diferença no preço. Próxima paragem… numa vila que foi arrasada pelos portugueses durante a Guerra da Restauração… Higuera de Vargas…bom, é melhor ir seguindo viagem, pode haver por aí alguém que ainda se lembre…

Jerez de Los Caballeros, seria o nosso destino desta tarde, estradas com muito bom piso, bonitas paisagens e já nos sentíamos bem por terras espanholas.

Numa visita pela vila, logo se destaca a Igreja de São Bartolomeu com o seu revestimento de cerâmica que brilhava sob o sol de inverno.

Estávamos muito próximo da Semana Santa e iriamos encontrar as igrejas já a serem preparadas para as festividades da Páscoa.

Jerez de los Caballeros já é habitada desde a Pré-história, muitos povos ocuparam estes territórios e a cidade é testemunha pelos seus edifícios e ruas muito estreitas e acidentadas, da presença visigótica e muçulmana. Cuidado para não entrarem com as autocaravanas na parte histórica, usem sempre a estrada de circunvalação e evitarão muitos problemas…

Em 1230 com a ajuda dos templários, Afonso IX conquistou a cidade e Xeris como era conhecida no período árabe, entrou no período cristão. Com a dissolução da Ordem do templo em 1312 por bula do Papa Clemente V, estes domínios que eram dos templários, passaram para a corte. Conta-se que estes terão resistido e no fim foram passados pelo fio da espada na torre que ainda hoje mantém o nome de Torre Sangrenta. Muita história envolve o castelo a que todas as ruas conduzem.

Pelos dias de hoje, é muito agradável passear pela antiga mouraria e ruas da vila descobrindo recantos cheios de interesse e pitoresco.

As autocaravanas tinha ficado estacionadas num dos poucos locais minimamente planos desta terra, perto da estrada de circunvalação.

N 38° 19’ 5’’
W 6° 46’ 11’’

Existe um parque de estacionamento para autocarros na estrada principal que atravessa a localidade, pode ser uma alternativa para se passar a noite.

Existe uma báscula publica nesta localidade, mesmo junto aos bombeiros, aproveitámos para pesar as autocaravanas 2€, houve quem ficasse preocupado com o excesso de peso… pudera, viajar com três bilhas de gás cheias…mais o tintol para a viagem, o melhor era começarmos já por vazar os depósitos do tinto!!! Seguimos viagem para Zafra.

A cidade de Zafra tem á disponibilidade dos autocaravanistas uma área de serviço para autocaravanas. Localizada muito próxima do centro histórico torna a visita á cidade muito fácil. Instalada junto ao recinto da “Feria Internacional Ganadera”, pode ser difícil a utilização da área durante a feira que se realiza durante a Feria de San Miguel em Outubro.

A área fica junto a uma estrada de acesso á cidade e tem um supermercado mesmo em frente, o posto da policia local fica a 20m e foi á porta deste que estacionámos, menos ruído e mais calmo, pela noite a área ficaria cheia de autocaravanistas em viagem para o sul…

N 38° 25’ 33’’
W 6° 24’ 42’’

Para visitar a cidade podemos começar pelo posto de turismo localizado na Plaza de España próximo da área de serviço, depois seguir pela Calle Sevilla que começa numa das antigas portas da muralha que defendia Zafra, La Puerta de Sevilla, esta rua leva-nos ao centro social da cidade a Plaza Grande.

Por aqui se passava tudo o que interessava á cidade, festas, mercados, reuniões sociais… hoje o enquadramento dos seus arcos torna esta praça um dos lugares mais turísticos de Zafra. Mas se esta é a Praça Grande, certamente haverá uma Praça Pequena… passemos pelo arco chamado Arquillo del Pan e vamos descobrir a joia da Zafra… a Plaza Chica.

Antigo mercado árabe, conserva uma ambiência muito particular, onde os bares e restaurantes de hoje, ocupam os lugares das antigas lojas e albergues do passado, muitas são as curiosidades que encontramos nesta praça, procurem num dos pilares das arcadas a “Vara de Zafra” uma gravação com 83cm que definia uma medida usada pelos comerciantes que por aqui assentavam as bancas.

Continuámos o nosso passeio pela cidade, visitando as Igrejas que nos tinham aconselhado no posto de turismo, percorrendo as típicas calles de traçado medieval…

-Olha aqui está uma lápide com uma inscrição curiosa..

Ao transpormos uma das portas da antiga muralha que circundava Zafra, fomos surpreendidos por algo que para nós era inusitado…

 

Pelas festas e romarias na nossa terra, vai sendo cada vez mais difícil encontrar que se disponha a levar os andores, sendo muitas vezes necessário o seu transporte em veículos dos bombeiros. Pois por aqui, os jovens não se fazem rogados, e cada andor necessita de mais de vinte costaleros para o seu transporte…

Estavam em pleno ensaio do movimento da estrutura do andor para as festividades da Semana Santa, só para sair da Igreja e descer os degraus do acesso… eram muitos os pequenos passos necessários para manter o equilíbrio…

E lá seguiram pelas estreitas ruas da parte histórica da cidade, cumprindo diligentemente as ordens do membro da confraria, o capataz que será responsável pelo movimento do andor, pois como este irá coberto com pesados veludos, quem suporta todo o peso, segue ás cegas.

Esta era a confraria do Convento Del Rosario, que fomos visitar, e onde podemos apreciar os andores a serem preparados para as procissões.

Terminámos a nossa visita passeando pela cidade, espreitando os pátios interiores das habitações, oásis de calma e beleza que se escondem por detrás de pesadas portas.

Regressámos á autocaravana de novo pela Plaza de Sevilla, e ainda tivemos tempo para visitar o Convento de Santa Clara, que continua devotado a vida religiosa, mas que encerra um museu sobre as origens desta cidade que tantas e agradáveis recordações nos deixa.
Aproveitámos o supermercado em frente da área de serviço para umas ultimas compras, jantar na autocaravana e…uma visita de um elemento da policia local que nos veio informar que…
-Puede aparcar aqui, no tiene ningún problema.
Era tudo o que precisávamos ouvir para uma noite tranquila.

No dia seguinte, iriamos procurar um lugar para estacionar na cidade de Mérida, Chegámos á cidade de Mérida e procurávamos um lugar para estacionar a autocaravana. Duas opções digamos… mais clássicas, seriam ou o Parque de Campismo á saída da cidade, longe para as deslocações ou o Parking Hernan Cortés muito próximo do centro histórico, mas pago.
N 38° 55’ 9’
W 6° 20’ 10’’

Não temos nada contra os parques pagos, e muitas vezes são uma boa opção, mas este inverno estava com um Sol tão bonito, vamos estacionar aqui numa rua simpática, calma e sem parquímetros.
N 38° 54’ 59’’
W 6° 20’ 00’’

Calle Poeta Deciano, mas não contém a ninguém…

Esta é uma cidade considerada Património da Humanidade, tão perto da nossa fronteira, mas tão mal conhecida pelos companheiros que por ela passam a caminho de outras paragens. Mérida Romana, Visigoda e Àrabe até ao século XII, Medieval e Moderna até ao século XVIII, Contemporânea e Atual desde o século XIX, podíamos descrever muitos factos históricos relacionados com esta cidade, mas vamos deixar á vossa curiosidade o descobrir esta Mérida Monumental www.turismomerida.org O estacionamento ficava muito próximo do Anfiteatro e Teatro Romano, vamos comprar o bilhete para a visita.

O companheiro Resende sempre atento… -Atenção!!! O bilhete de 12€ dá entrada nos principais monumentos, não o percas, vai ser preciso nos outros locais a visitar…

– Ó Resende repara no friso que circundava a arena e impedia os animais selvagens de saltarem para as bancadas. Estas ruinas são grandiosas, e fizemos nós tantos milhares de quilómetros para ver algo parecido em Itália

Estas ruinas são grandiosas, e fizemos nós tantos milhares de quilómetros para ver algo parecido em Itália

O Museu Nacional de Arte Romano, mesmos junto ás ruinas do Anfiteatro e do Teatro merece uma demorada visita. O seu acervo é resultante das muitas escavações arqueológicas feitas e em execução pela cidade de Mérida.

Continuámos a visita passando pelo antigo mercado municipal a caminho do posto de turismo. Pessoal simpático no atendimento, que facultou a documentação necessária para melhor se entender os monumentos que íamos visitando.

O Templo Diana que curiosamente alberga no seu interior um antigo palácio renascentista, uma das muitas ocupações que têm acontecido neste local .

Pausa para saborear uma San Miguel, a cerveja espanhola numa das esplanadas da Plaza de España.

O clima está mesmo estranho, em pleno mês de Fevereiro no centro da Peninsula Ibérica e…

O dia estava a terminar mas ainda deu para visitar a Moreria, espaço que se situava fora das muralhas que circundavam a cidade de Mérida e onde terão vivido os mouros depois da ocupação cristã. Estas habitações foram construídas sobre edificações romanas e nos dias de hoje estão por debaixo de um edifício de habitação! 

Durante a construção deste imóvel foram postos a descoberto estes testemunhos do passado, a solução foi construir o edifício sobre pilares, permitindo a visita do espaço arqueológico. Aqui o Resende admira a calçada Romana, num local em que teria havido uma “rotunda” com uma pedra no centro, para diminuir a velocidade da circulação das carroças!!!

Este dia terminava por aqui, regresso á autocaravana para o jantar e uma noite tranquila, no dia seguinte continuaríamos a visita a Mérida. Mas tudo isso virá na segunda parte da viagem.

FIM DA PRIMEIRA PARTE AGUARDAMOS A VOSSA COMPANHIA NA 2ª. PARTE DA DESCRIÇÃO DESTA VIAGEM

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