PRAIAS DO ALENTEJO

PRAIAS DO ALENTEJO

PRAIAS DO ALENTEJO

Quatro dias de liberdade em pleno verão, só tínhamos um pensamento, praia, e assim que  a autocaravana ficou pronta para a partida, ligámos o motor e entrámos na autoestrada, já com os fatos de banho vestidos.

Havia que aproveitar bem o tempo disponível, primeiro destino escolhido a Fonte da Telha. Assim poucos quilómetros feitos e já estávamos na praia.

Ponte 25 de Abril, Costa da Caparica e chegada à Fonte da Telha, quando temos mais tempo disponível, costumamos estacionar no pequeno parque à direita, no fim da descida que dá acesso á praia, mas desta vez iriamos apenas ficar pelo período da manhã, virámos à esquerda e fomos estacionar numa zona ampla um pouco mais á frente. Porta aberta e a praia estava à nossa espera.

Podemos ter opiniões muito diferentes, sobre a forma como o espaço envolvente das praias desta zona tem sido tratado… mas deixemos esses aspectos para outros espaços de escrita, nós apenas queríamos gastar o creme de bronzear e mergulhar nas águas imensas que estavam á nossa frente.

Cafés e restaurantes com melhor ou pior apresentação… alguns já não estão de acordo com o que se espera de uma zona turística, enchem o espaço envolvente aos parques de estacionamento, mas com um pouco de cuidado é sempre possível encontrar um recanto para estacionar as autocaravanas, mesmo as de maiores dimensões. Cuidado com  as zonas de areia que podem atolar o rodado dos veículos.

O areal imenso, a água translúcida e curiosamente não muito fria, fizeram desta manhã um bom começo destas pequenas férias.

      

A hora do almoço aproximava-se e decidimos que iriamos ao choco frito a Setúbal.

Um ultimo mergulho, a tralha de praia amontoada na autocaravana e rapidamente estávamos a subir a rampa de saída da Fonte da Telha na direção da Aroeira.

Pouco depois descobrimos uma nova autoestrada a “A 33”. –“Olha esta nunca fizemos. Vamos experimentar, dá acesso á “A2”.” O país pode estar endividado com tanto alcatrão, a verdade é que o acesso ao nó do Fogueteiro e à entrada na autoestrada para Setúbal foi muito rápido, tanto que pouco depois já tínhamos comprado o choco frito com o respetivo acompanhamento no Léo  e estacionado junto ao rio Sado.

Esta é uma paragem habitual nas nossas deslocações para sul. (Ver a viagem “Viagem para o Sul”) Olugar para a refeição é cinco estrelas e o choco frito nunca nos desiludiu.

Almoço com vista para o rio… depois, seguimos viagem para o litoral Alentejano, mas primeiro parámos em Alcácer do Sal no supermercado Inter-Marché.

Tem AS para autocaravanas.

Estrada nacional até aparecer a indicação para se sair á direita, para Alcácer, e logo á entrada da vila, no mesmo acesso para o parque de campismo, fica o supermercado. Zonas de estacionamento amplas e sem limitações de altura e com bomba de combustível de baixos preços. Esta é uma paragem simpática no caminho para o sul.

Compras e mudança técnica feita, depósito cheio e voltámos á estrada para estacionarmos a autocaravana nas praias a sul de Sines

 

Na estrada de acesso a Sines viramos à direita para se entrar numa rotunda e saímos na direção do Cercal. Poucos quilómetros depois e junto á central de produção de eletricidade, virar à direita para São Torpes.

Estamos numa estrada que corre junto ao mar, as zonas de estacionamento sucedem-se, umas alcatroadas, outras em areia, cada um escolherá o local que mais lhe convier. Nós continuamos até á zona de estacionamento onde fica o restaurante Bom Petisco.

                     

O estacionamento, frente ao mar em zona de alcatrão, permite ir já para a praia com o bronzeador posto e as mãos limpas do creme…

Durante estes dias iriamos ter uma experiência que para nós era única… não havia uma ponta de vento, e a temperatura da água estava um espanto. Após muitos anos a visitar estas praias, estes dias ficaram para sempre nas nossa memórias.

Temos por hábito percorrer as dunas das praias em agradáveis caminhadas, mas desta vez ninguém nos tirava da água, e até a boia do nadador salvador, repousava calmamente no seu posto em companhia da bandeira verde.

           

A tarde estava a chegar ao fim, e a autocaravana tinha proporcionado um dia de praia, que nos deixava felizes mas cansados. Havia que procurar um lugar para passar a noite. A proximidade de Porto Covo era um destino que se apresentava simpático para o estacionamento noturno.

Poucos quilómetros depois, estávamos a estacionar junto à antiga estação de tratamento de águas, que foi uma oferta da comunidade alemã da base aérea de Beja, que nos anos setenta frequentava esta vila.

Felizmente o equilíbrio encontrado estre as proibições e os locais possíveis para estacionar, mostra uma sensatez que devia ser imitada por outras localidades.

A vila de Porto Covo tem uma área de serviço e estacionamento para autocaravanas, mas a descrição e o bom senso, permite estacionar em locais de grande beleza.

O começo da noite, proporcionava um pôr do sol que parecia de zonas mais tropicais.

           

O jantar foi feito na autocaravana, ninguém queria perder esta luz que se filtrava pelos últimos raios de sol e, duvido que algum restaurante na vila, proporcionasse uma paisagem melhor, do que as janelas do nosso veiculo nos ofereciam.

O café e o digestivo já foi tomado no “Café O Marques” na praça central de Porto Covo.

As pequenas bancas de artesanato na praça foram o motivo final do pequeno passeio noturno.

A noite passou depressa e ao amanhecer já passeávamos pelas falésias das praias, junto á vila.

      

Ao passarmos pela “Praia dos Buizinhos” ficamos estupefactos, alguém tinha pintado grafites nas rochas da praia!!! À consideração de cada um…

Desgostosos com o que víamos, regressámos à vila para as compras do dia.

Na rua Salvador Vilhena, no centro da vila, existe um pequeno supermercado com oferta de pão diário.

Tomado o pequeno almoço, estava na altura de voltar à nossa viagem ás praias do Alentejo.

A escolha seguinte ficava perto, a praia da Ilha do Pessegueiro. Saída da vila pela estrada a nascente, que passa junto á área de serviço das autocaravanas, e a seguir á bomba de gasolina da Galp, no primeiro cruzamento, virar á direita.

Virar para o parque de campismo da Ilha do Pessegueiro e rapidamente se avista a ilha. Sempre que aqui vimos o Livro dos Cinco, com o titulo “Os Cinco na Ilha do Tesouro”, vem á nossa memória. Boas leituras essas e a ilha devia mesmo ser como esta, que estava á nossa frente.

O estacionamento junto á praia, um pouco inclinado, mas amplo e permite estacionar autocaravanas de qualquer tamanho. Tem apoio de restauração e café.

O acesso à praia é fácil. Pouco depois já as toalhas e o chapéu de sol, ocupavam o seu lugar na areia.

O dia de semana, possibilitava que a privacidade na praia não fosse problema.

Novamente a temperatura da água, espantava quem está habituado a ter dificuldade para entrar nestas águas, normalmente muito mais frias.

A manhã foi passada em banhos e jogos de bola sem incomodar nenhum outro veraneante.

Na ilha do Pessegueiro existem as ruinas do forte de Santo Alberto que, conjuntamente com o forte de Nossa Senhora da Queimada localizado junto á praia da Ilha, faziam parte do sistema defensivo da costa com construção durante a ocupação Filipina.

O terramoto de 1755 foi causador de grandes danos nestes fortes, mas o da praia que tem sido objeto de alguma recuperação merece uma visita, se estiver aberto.

Das suas muralhas exteriores, as vistas sobre as praias são de grande beleza e o forte localizado na ilha, pode ser observado com mais promenor para quem tiver binóculos. Outra alternativa é a visita á ilha, no barco que sai do porto de pesca da vila de Porto Covo.

                             

A manhã passou depressa e o almoço foi feito na autocaravana, estacionada com vista para a Ilha.

                                

O café foi tomado no restaurante próximo e, findo este, retomámos a viagem para nova praia.

À saída do estacionamento da praia da ilha, já na estrada á direita, existe uma pequena estação arqueológica que prendeu a nossa atenção.

O estacionamento não é fácil neste sitio e para autocaravanas de maiores dimensões, poderá  ser feito um pequeno passeio pedestre, a partir do parque da ilha. Será agradável porque esta zona é muito arborizada em contraste com a paisagem circundante.

                                                       

Regressámos à estrada que nos leva para o sul, viramos á direita logo que possível e passamos por Vila Nova de Milfontes, que fica para outra viagem. Continuamos até à praia do Almograve, para nós uma das praias mais bonitas da Costa Alentejana. A vila que dá o nome à praia oferece um apoio correto de restauração e alojamento para quem precise. Nós estacionámos no amplo parque junto á praia que não levanta problemas de manobra, mesmo para os veículos de maiores dimensões.

O acesso à praia é muito cómodo com passadiços de madeira.

     

A praia é dividida em duas partes por uns grandes rochedos, de um lado, a praia de rochas e arribas de xisto, do outro, as dunas juntam-se à areia da praia.

Indicações sobre a fauna e a flora, são disponibilizadas nos passadiços de madeira, que nos levam à praia do lado direito, a mais rochosa.

A praia da esquerda que tem um grande areal, é servida por um acesso em betão, onde estão instalados sanitários e lava pés.

Se possível procurem estar na praia na baixa mar, altura em que o recuo do mar cria autenticas piscinas naturais entre as rochas que, de certeza, farão a felicidade dos mais novos… e não só

       

Ao fim da tarde e quando regressámos à autocaravana para um duche e preparar o jantar, demos conta de uma placa, avisando que não é permitido o estacionamento para  a pernoita, neste parque e nem mesmo no concelho de Odemira!?

Decidimos ir procurar outro lugar para passar a noite, e seguimos para…  Zambujeira do Mar.

Encontrámos um poiso muito agradável , perto do centro da vila, calmo e não perturbando os moradores, que com a sua simpatia habitual, nos cumprimentavam ao passar pela autocaravana.

N 37º 31´37”

W  8º 47´07”

Jantar e passeio noturno foram o terminar deste dia.

Noite calma e, pela manhã, visita ao mercado onde bancas de peixe muito fresco, constituíam uma tentação a que não resistimos.

A vila parecia ainda adormecida quando fomos procurar a padaria.

Um cheiro a pão fresco guiou-nos até à travessa da padaria, onde uma fila de clientes, aguardava o começo da venda do pão.

    

Os cumprimentos trocados entre os que aguardavam e os que iam chegando, eram mais do que suficientes para que se iniciasse de imediato uma pequena conversa que tanto ia do estado de saúde do familiar ao estado político do país…

Regressámos à autocaravana para o pequeno-almoço, o pão alentejano… não há dieta que resista.

Fatos de banho vestidos e estava na hora de ir abrir o guarda sol.

Paragem na praça central para um café…

                 

e descemos a rampa que dá acesso á praia

Integrada no Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano, a Praia da Zambujeira do Mar é rodeada por falésias que oferecem panoramas deslumbrantes.

O acesso à praia em declive acentuado, requer algum esforço físico, especialmente no regresso.

                         

A praia que normalmente tem uma rebentação muito forte, apresentava na altura da nossa visita, um mar calmo e sem vento.

A praia incrustada na falésia é muito bonita, tanto vista de cima das escarpas, como observando as vistas para a vila.

Mais uma vez a temperatura da água, não era a que normalmente encontramos por estas paragens… terá a ver com as alterações climatéricas?

Apenas a placa que indicava correntes fortes nos impedia de passar a manhã na água.

Entretanto descobrimos que alguns banhistas se esgueiravam por uma fenda nas rochas, e não voltavam para trás. Decidimos investigar…

Em boa altura o fizemos. Descobrimos uma piscina natural,  formada pelas rochas, na baixa mar e que, em visitas futuras, pode ser um abrigo para os dias mais ventosos.

        

Numa das paredes das rochas que formam esta piscina, existe uma nascente de  água doce que corre em cascata para o mar, tornando este lugar ainda mais especial.

Depois do almoço começamos a viagem de regresso, á saída da Zambujeira do Mar. Pela estrada a norte, na direção da Entrada da Barca, a nossa atenção foi alertada por uns passadiços de madeira que entravam pelas dunas

   

O estacionamento não é muito fácil para autocaravanas de maiores dimensões e, para quem tenha tempo, o passeio pedestre entre a Zambujeira e a Entrada da Barca pode ser uma boa opção.

Painéis explicativos da flora e fauna, que é possível encontrar, são um bom ponto de apoio educativo sobre a natureza que nos rodeia.

Os caminhos levavam-nos sobre as dunas

                     

 

até ás falésias onde se podem observar paisagens deslumbrantes.

Caminhos íngremes permitem o acesso a praias quase desertas.

No caminho de regresso, a curiosidade sobre a nossa autocaravana  do gado que pachorrentamente pastava, não nos deixou indiferentes.

Próxima paragem, Cabo Sardão.

A torre quadrangular com a lanterna no cimo , recortava-se na paisagem da Ponta do Cavaleiro. Este farol com 17 metros de altura, pode ser visitado ás quartas feiras das 14 ás 17 horas. O estacionamento junto ao farol não levanta problemas.

     

A caminhada até á linha de costa foi recompensada com vistas que impressionam pela grandeza, mas cuidado junto ás falésias, existe sempre o perigo de quedas.

                           

De novo na estrada, na direção de Vila Nova de Milfontes. Um pouco antes de chegarmos a esta vila saímos á esquerda para a Praia das Furnas.

O acesso tem o piso um pouco degradado, mas nada de muito preocupante e o estacionamento é fácil.

        

Passeámos pela praia mas a estadia que tínhamos tido na praia da ilha do Pessegueiro estava sempre presente e decidimos terminar a tarde nessa praia.

Um ultimo olhar ao painel explicativo da Praia da Furnas e de novo na estrada.

Pouco tempo depois já estávamos a pisar a areia da praia em frente á Ilha do Pessegueiro.

Não nos arrependemos desta opção de viagem. A praia quase deserta …

e a água com a temperatura amena, fazia com que comentássemos que… temos das praias mais belas da Europa.

Só o facto de o nadador salvador, ter começado a “arrumar a praia”, nos fez pensar em deixar o areal.

      

Estávamos próximo de Porto Covo, e como esta vila tem alguma animação noturna por estas paragens, decidimos ir passar lá a noite.

Um ultimo olhar à praia e regressámos à autocaravana

No parque de estacionamento da praia da Ilha existem sanitários com duches, podem ser uma boa alternativa para se poupar a água dos depósitos. da autocaravana.

 

Optámos por estacionar nos parques situados na saída para Sines a norte da vila, junto a uma zona ajardinada.

Não tem vista para o mar, mas a proximidade da vila e o espaço envolvente, tornam este sitio muito aprazível, tem mesmo uma pequena zona de jogos e de refeições.

           

 

A noite já nos envolvia quando começámos o jantar.

Um pequeno passeio pela vila, foram o terminar de mais um grande dia de autocaravanismo.

A manhã seguinte começou cedo. Fomos dos primeiros a passar pelo largo da vila a caminho do mercado.

Compras feitas e arrumadas na autocaravana, regressámos à vila para um pequeno-almoço no café Marquês. Perguntem que toda a gente conhece. A meia-de-leite e o croissant com fiambre, fazem parte do ritual das manhãs em Porto Covo.

Seguimos pelos caminhos junto ao mar, que possibilitam percursos sempre acompanhados com paisagens deslumbrantes.

   

 

Estava na altura do regresso a casa e, ao passarmos pelos moinhos de vento, lembrámo-nos que o Outono estava a chegar.  Íamos dar inicio a um novo ciclo de viagens.

 

FIM