ROMARIA DA FESTA DAS ROSAS E DOS “CESTOS VOTIVOS”

ROMARIA DA FESTA DAS ROSAS E DOS “CESTOS VOTIVOS”

ROMARIA DA FESTA DAS ROSAS

E  DOS

“CESTOS VOTIVOS”

Chegou a Primavera! O nosso país anima-se com as muitas festas e romarias que celebram o início de um período de abundância e generosidade da natureza.

Em 1622, Frei Bartolomeu religioso da Ordem dos Beneditinos, funda em Vila Franca, perto de Viana do Castelo, a Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Ficou desde logo estabelecido que no dia da Festa da Senhora do Rosário, as mordomas teriam que oferecer à Senhora, um ramo de flores. Com o passar dos anos e quem sabe, por orgulho ou apenas pela devoção, estes ramos foram evoluindo para os maravilhosos cestos confecionados com folhas e flores, que as donzelas oferecem à Senhora do Rosário no dia da sua festa.

Foi para participar nesta celebração que pusemos o motor da autocaravana em marcha e, pela A1 até Aveiras, começámos a nossa romaria. O primeiro destino seria a área de serviços para autocaravana da Batalha, já poiso habitual nas nossas viagens e que proporciona sempre uma agradável estadia. Chegámos já a noite tinha caído e um jantar doméstico numa noite calma, foram os primeiros acontecimentos desta viagem.

Na manhã seguinte, pequeno almoço tomado e fomos verificar que o Centro Interpretativo do Mosteiro continuava “avariado”, aproveitámos para deixar a nossa observação no livro de reclamações sobre a demora desta reparação, para mais num monumento que é Património Mundial. Receberíamos mais tarde, em casa, a resposta a esta nossa reclamação… parece que, apesar de terem gasto verbas muito avultadas na instalação do equipamento… não se lembraram que o local tem muita humidade e os aparelhos estão sempre a avariar… sem comentários!

Mas a Batalha tem muito mais para se visitar, e sobre isto temos vindo a falar em várias viagens anteriores. Nesta passagem por esta localidade, aproveitámos a manhã para visitar o Museu da Comunidade Concelhia galardoado com vários prémios, nomeadamente como “Melhor Museu Português” pela Associação Portuguesa de Museologia e o Kenneth Hudson (2013) atribuído pela Bélgica. Este espaço que pretende valorizar a história e a identidade da Batalha, merece certamente o nosso interesse.

www.museubatalha.com

A visita leva-nos numa viagem de mais de 250 milhões de anos pelo território concelhio, e desvenda os seus segredos, na área da Geologia e Paleontologia.

Também a ocupação humana desde o Paleolítico,  à presença Romana são apresentadas neste museu de uma forma muito interativa, com especial chamada de atenção, para os vídeos que reconstituem a Vila Romana de Collipo,  localizada em São Sebastião do Freixo, e a forma como a presença humana se fazia sentir nesta casa,  certamente ocupada por uma família ilustre e poderosa.

 

 

Percorremos as salas seguintes, onde se aborda sobre a consolidação do Reino de Portugal e a sua ligação á construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória,  continuando até à configuração concelhia atual.

Do muito exposto neste museu, a reconstituição de uma sala de aula do Estado Novo mereceu a nossa especial atenção, talvez por nos avivar lembranças, que já começam a ficar desvanecidas nas nossas memórias…

 

Terminámos a visita acompanhados por um dos áudio-guias disponíveis na recepção do museu e, ao sair,  passámos pelo Portal Manuelino da Igreja Matriz que ficará para nova visita.

Regressámos à estrada nacional, agora com o destino de Viana do Castelo.

A estrada nacional, cada vez com mais tráfico de pesados e não só… as horas iam passando e no Porto, decidimos seguir para norte pela autoestrada. Chegámos ao parque de estacionamento, junto ao navio Gil Eanes em Viana, já a noite ia caindo.

N 41° 41’ 22’’

W 8° 49’ 50’’

                       

Jantar na autocaravana e passeio noturno pela cidade.

O parque de estacionamento, proporciona uma noite muito calma. Pela manhã fomos tomar o pequeno almoço numa das esplanadas da Praça da República outrora chamada de Campo do Forno ou Praça da Rainha. É o cartão de visita por excelência desta cidade, com o seu chafariz e edifícios do séc., XVI, proporciona um agradável começo de mais um dia do autocaravanista.

Nos finais da Idade Média, o crescimento da importância da vila, deu origem à implantação de albergarias e de um primeiro hospital, fundado em 1468, que dava guarida aos mercadores e aos peregrinos que se dirigiam para Santiago de Compostela. É nesta casa remodelada no séc. XVI que vamos encontrar atualmente, o Posto de Turismo da cidade.

 

No seu interior ainda podemos sentir a ambiência de uma casa medieval, e meditar um pouco sobre as muitas histórias que certamente encerra. Mas o principal motivo que aqui nos trazia, era obter informações sobre a romaria para onde nos dirigíamos. Atendidos pela simpática funcionária do turismo, saímos com todas as informações pretendidas e muitas outras, sobre festas e romarias minhotas, que certamente serão motivos para novas viagens.

                    

Regressámos à Praça da República, para visitar a Igreja da Misericórdia de Viana do Castelo.

De arquitetura religiosa maneirista e barroca, esta igreja de uma só nave, tem um revestimento em azulejo com a representação de obras da Misericórdia, que merecem uma visita. A pintura do teto e o retábulo, emprestam a este conjunto monumental, uma importância que a consulta do site do “Igespar”, virá dar ainda mais informação e será certamente um complemento muito útil nesta visita.

Para os companheiros que possuam um pad com ligação à net, a sua utilização nas visitas aos monumentos, será certamente uma mais valia e um hábito e para nós um hábito a que já não conseguimos escapar.

www.igespar.pt

             

Continuámos o passeio por Viana, agora com o intuito de na Casa Natário, comprar as celebres bolas de Berlim para o lanche.

Localizada na Rua de Manuel Espregueira, junto ao Museu do Traje, é reconhecida em Viana como uma “pastelaria fina”. Com os seus mais de setenta anos de história a adoçar as bocas dos Vianenses, é já uma instituição e as filas que se formam à sua porta são testemunho da qualidade e tradição. O Sr. Albino lá continua com a sua simpatia a atender… – pois então vai uma bolinha com canela…e o que mais?

      

Vale a pena provar!

Regressámos à autocaravana e seguimos para Ponte de Lima, o nosso próximo destino.

Pouco tempo depois,  já era esta a nossa vista da porta da autocaravana. Fora do tempo das feiras e mercados, os grandes parques de estacionamento frente ao rio Lima e junto ao centro da vila, são sempre uma boa solução. Nós ficámos na zona debaixo das árvores à direita, onde já estavam vários outros companheiros de estrada.

Fomos visitar a vila e passámos pelo “Center” Centro Nacional do Turismo Rural onde, os autocaravanistas que não sejam fundamentalistas, podem encontrar toda a informação sobre o Turismo de Habitação disponível em Portugal

A Sra. Maria Sá Lima, com toda a sua simpatia, deu as informações pretendidas e até aconselhou o restaurante para o almoço…

             

Ponte de Lima é uma terra de boas recordações, como alguém diria. Já fomos muito felizes aqui, e é sempre com encanto que percorremos as suas ruas.

                                                             

O Restaurante Encanada estava mesmo à nossa frente e como já havia muito apetite…

Pouco depois já o “Arroz de Serrabulho” estava na mesa

                                    

Situado na Av. Marginal, toda a gente conhece, cumpriu bem a sua obrigação, vista linda sobro o Rio Lima, preços corretos e boa confecção do arroz que estava a preceito, com os respetivos rojões, tripa, batata no forno e castanhas.

Findo o almoço, retomámos o passeio pela vila.

Passámos a ponte que dá o nome a esta terra tão nobre e que sempre foi um elo fundamental na ligação das margens do rio Lima. Composta por dois troços, um de origem romana e outro medieval,  está referida em roteiros com muitos séculos, que descrevem a passagem de  milhares de peregrinos que demandam Santiago de Compostela, o que ainda hoje acontece, pois encontrámos um grupo bem grande, que aguardava pela abertura do albergue situado na margem direita.

Nesta margem,  logo ao sair da ponte, na Casa do Amado, está localizado o “Museu do Brinquedo Português”, reunindo o espólio de milhares de peças colecionadas pelo Sr. Carlos Anjos, ao longo de muitos anos. Este museu é a garantia de uma viagem ao passado com muitas recordações à mistura.

             

Todas as peças expostas são de fabrico português e ninguém fica indiferente ao que vamos encontrando pelas vitrines…

Bonecos da Bola… onde estará o mais difícil de encontrar na lata, para se ganhar a bola de “Catchogo”??!!!

São muitas as memórias que vamos percorrendo com os brinquedos expostos no museu, até que terminamos numa sala, onde se pode ver  uma grande maquete com linhas de comboios, já não fabricados em Portugal, mas que certamente farão as delicias dos apaixonados pelas miniaturas ferroviárias.

        

Continuámos o passeio pelas margens do Lima. Lá estava a autocaravana á nossa espera para um jantar com vista sobre o rio, mas isso seria mais tarde que por agora, fomos lembrar a lenda do Rio do Esquecimento.

Os romanos consideravam que tanta beleza, como a que encontraram neste rio, só podia ser por aqui se localizar o Lethes-o Rio do Esquecimento (quem o atravessasse perdia para sempre a memória) e recusavam-se a cumprir a ordem,  de passar para a outra margem, que lhes era dada por Decius Junius Brutus o seu comandante. Então este terá atravessado o rio e da outra margem, chamou cada um pelo seu nome, mostrando assim que apesar de tanta beleza não era este o rio Lethes.

                 

Deixámos os romanos com as suas duvidase continuámos pela tarde o passeio por Ponte de Lima. O jantar foi na autocaravana e o café foi numa das explanadas frente ao rio.

Amanheceu mais um dia de Sol! Decidimos ir visitar Caminha e almoçar Sável. A primeira paragem, foi na área de serviço do Intermarché de Mazarefes, na estrada para Viana, onde aproveitámos para repor tanto os níveis de água da autocaravana, como os do frigorifico,  estávamos a pensar pernoitar três noites na romaria e convinha ter os stocks bem fornecidos. Esta área está muito bem concebida e espero que todos possam dar um exemplo de civilidade, mantendo o bom estado de conservação desta tão simpática área… o Intermarché e os AUTOCARAVANISTAS!!!

Pouco depois já estávamos com Caminha  e Espanha á vista.

O estacionamento foi feito num dos parques á entrada da vila… desde que não seja dia de feira. Caminha que fica situada na foz do rio Minho e já muito perto da Galiza, é uma simpática vila onde se podem encontrar muitos vestígios  históricos da sua importância militar e estratégica como a Torre do Relógio a única que resta das três portas de entrada na vila na Idade Média.

                         

Ou curiosas manifestações da sua religiosidade como esta Igreja

Com imagens em que a escala de construção sai fora dos padrões habituais

              

Mas o pretexto do passeio a Caminha era o almoço de Sável e havia que cumprir! Dirigimo-nos para o Restaurante Solar do Pescado, na Rua Visconde Sousa Rego.

E lá chegou o Sável, bem frito com as espinhas a desaparecerem na fritura, enxuto de óleo e com uma boa salada de acompanhamento.

         

Valeu a pena o valor que se pagou, não se come todos os dias e a foto fica para recordação!

Nem pensar em pegar no volante depois da garrafa de vinho, vamos até ao Largo do Terreiro, sentar numa esplanada, tomar um bom café, ficar a olhar para o Chafariz construído em 1552 pelo mestre vianense João Lopes Filho e esperar que a “crise” passe.

O melhor é ir andar um bocado, talvez visitar o museu instalado no edifício da Biblioteca Municipal.

Esperar por melhores dias…

                         

 

E a Igreja Matriz? Está fechada… aproveitamos para visitar por fora.

Construída no interior da cerca medieval da vila, entre 1488 e 1558, apresenta uma complexa combinação de estilos e influencias.

Também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Assunção, encerra muitas obras de arte religiosa e arquitectónica que merecem a nossa visita, nesta passagem por Caminha os objetivos eram outros e decidimos continuar o passeio pela vila.

Junto á Igreja no lado sul, fomos encontrar uma pequena oficina de muitos saberes artesanais. O Sr. José Fernandes Correia por quem mais de oitenta primaveras já passaram, ocupa os seus tempos, reconstituindo em pequenas figuras, toda a história da sua vida.

Muito jovem partiu para Lisboa procurando rumos de vida que a vila onde nascera não permitia, foi trabalhando em vários ofícios até que se tornou vendedor no Norte do país das máquinas de cozer Singer. O seu empenho na vida acabou por o recompensar e chegou mesmo a ganhar um prémio do melhor vendedor, com mais de 115 máquinas vendidas apenas num ano, como atesta um pequeno quadro, pendurado entre muitas outras recordações. Chegada a altura em que ficou dono das suas horas, dedicou-se a construir miniaturas que vão recordando todos os tempos vividos.

Os utensílios de lavoura da sua juventude, todos os objetos do quotidiano de uma casa rural, artefactos das pequenas industrias, e tudo o mais que as suas memórias lhe ditam, vai ficando registado em peças que são pequenas obras de arte. Até as várias casas onde nasceu e depois viveu, têm lugar nas suas estantes.

A simpática conversa com o Sr. José Correia, conversador e amigo de partilhar as suas vivencias, foi-se perlongando pela tarde, mas tínhamos de continuar viagem e foi com a promessa de voltarmos a visitá-lo, que demos uma ultima olhadela á miniatura da casa onde tudo começou e nos despedimos com um até sempre.

              

Regressámos ao parque onde tínhamos estacionado a autocaravana e seguimos viagem até Valença do Minho

Estacionámos num parque junto ás muralhas da Fortaleza

N 42° 01’ 45’’

W 08° 38’ 35’’

Fica junto a uma das portas da Fortaleza ,e pouco depois já nos misturávamos com os muitos turistas espanhóis, que enchiam as ruas da zona urbana dentro das muralhas, onde o comercio de atoalhados é rei!

A Fortaleza uma das principais fortificações militares da Europa, com um pano de muralhas de mais de 5Km, debruçada sobre o rio Minho, é uma obra de arquitetura militar gótica e barroca, que começou a ser construída no séc. XIII. A sua posição estratégica de grande importância na defesa do território nacional e a imponência do sistema muralhado assim como os aspetos sociais que sempre a envolveram, levou a que fosse apresentada a candidatura a Património da Humanidade.

Para nós que nesta visita não dispúnhamos de muito tempo para explorar a cidade como merece, decidimos ir comtemplar as paisagens que se desfrutam do cimo das muralhas.

Lá estava a ponte, modelo Eifel que tantas vezes atravessámos com o bacalhau escondido no automóvel… outras vidas de que possivelmente já poucos se lembram, e os mais novos nem chegaram a conhecer… felizmente!

Fomos visitando outros monumentos da cidade

Algum comércio que ainda mostra originalidade

                     

O Núcleo Museológico, que nos permite reviver algumas das épocas mais significativas da história de Valença.

       

Mais uma bebida numa esplanada, alguns edifícios que mereciam mais atenção e continuámos a nossa viagem, para a romaria em Vila Franca do Minho,

O dia estava a terminar mas ainda tínhamos tempo de ir visitar um dos mais importantes monumentos românicos portugueses, na estrada entre Ponte de Lima e Ponte da Barca, fica o Mosteiro de Bravães.

Localizado mesmo junto á estrada nacional no Lugar do Mosteiro.

O estacionamento é fácil para as autocaravanas, e pode ser uma solução para se pernoitar, tem um café muito próximo, que pode dar apoio para algumas compras de ultima hora.

Com origem num antigo mosteiro fundado em 1080 por D. Vasco Nunes de Bravães, o edifício que hoje se pode ver e visitar data do séc. XII e conserva-se na sua generalidade. Perdeu-se no ano de 1876 o que restava do claustro e do mosteiro, mas a visita irá surpreender pelos muitos motivos românicos presentes na Igreja.

A sua história perde-se nos tempos e merece uma consulta ao site do igespar para se poder completar as indicações que o Sr. Alípio, guardião das chaves possa dar… Aberto ao culto, fica fechado nas restantes horas, procurar no café pelo Sr. Alípio e todos vos ajudarão a fazer a visita, a simpatia do pessoal minhoto sempre presente.

            

        

O Sol no horizonte perlongava as sombras deste fim de tarde, e nós tínhamos uma romaria para acompanhar, despedimo-nos do Sr. Alípio, personagem simpática, e regressámos á estrada na direção de Viana do Castelo.

Tudo por aqui fica perto e pouco depois já estacionávamos no arraial

         

 

Vila Franca já estava em Festa, jantámos na autocaravana, passeamos pelas ruas iluminadas, visitamos a Igreja e começamos a sentir a emoção de ir participar numa das romarias mais tradicionais do Minho, mas isso ficaria para o dia seguinte…

Esta manifestação religiosa, com ligações tão fortes ás festividades pagãs do ciclo agrícola iniciado na Primavera, foi o pretexto para esta nossa viagem, que já nos tinha levado pelas terras do Minho, ver parte I, do mesmo titulo.

O cerimonial da dádiva simbólica presente nesta romaria, em que as donzelas oferecem um símbolo de pureza e beleza, as rosas, á Virgem Mãe, está muito presente nas tradições de Vila Franca

Nas páginas e fotos seguintes, vamos acompanhar o esforço das jovens, que transportam os cestos “bordados” tão habilmente por bordadores, que criam paisagens, monumentos, rostos e contam histórias de promessas, feitas à Senhora do Rosário, num ritual que se cumpre todos os segundos fim de semana de Maio.

Muitos foram os companheiros que rolaram para a romaria.

O “parque” usado para o estacionamento das autocaravanas fica bem localizado, mesmo junto ao arraial.

N 41° 41´ 01´’

W 08° 44´ 16 ´´

A festa começara, os foguetes e os sempre presentes bombos, já animavam o arraial.

O altar da Igreja estava lindo todo revestido a rosas que emprestavam á Igreja uma atmosfera de alegria.

Claro que em primeiro lugar nos desfiles e bem merecido, a Comissão de Festas, tudo pessoal muito jovem mostrando o empenho posto no continuar das tradições, o seu lema era…

“Tornar-te grande é o nosso ideal”

A muito aguardada entrada das bandas

Grupos de Zés Pereiras, e os Cabeçudos Nacionais de Fragoso

      

O aguardar por um dos momentos altos da festa

Quando todos se dirigem para o ponto de encontro…

das famílias que com as mordomas á frente, transportam os cestos da devoção.

Sempre acompanhadas com os grupos musicais, vão chegando todos aqueles que estavam envolvidos em fazer cada um dos cestos.

 

Muitas vezes são as mães, tias ou as familiares mais antigas, que fazem gala em transportar juntamente com as mordomas, os cestos e sempre que param e rodam o cesto para o mostrar, todos irrompem numa salva de palmas que pela sua espontaneidade, mostra toda a singeleza do ato.

 

Por aqui todos se encontram, as mordomas, os familiares e amigos, os ranchos folclóricos que se vêm juntar á festa…

      

E conforme os cestos vão chegando, ocupam o seu lugar na preparação para o grande desfile. Nos anos anteriores usavam umas barricas para colocar os cestos, mas este ano colocaram uns blocos de pedra para esse efeito… temos de ir melhorando dizia orgulhoso, um dos elementos da comissão organizadora.

      

Pelo sorriso… a tradição tem futuro!!!

Nem sempre se encontram as palavras certas para se expressar a ternura, a alegria, a beleza, o companheirismo que se encontra nestas manifestações de raiz tão popular…

      

Todos aguardam que se inicie o desfile,  será que vejo algum nervosismo…

todos têm que tomar os seus postos…

      

Todos participam mesmo aquelas que parecem umas bonequinhas…

Os bombos para a frente

Está tudo pronto! Vai começar o desfile…

Há que ajeitar a rodilha, pela tua alminha não deixes cair o cestinho

      

E pela frente todos têm um percurso de mais de 1000m pelo arraial até à Senhora do Rosário

A música está sempre presente! Haja alegria que o dia é de Festa

 

Vamos cumprir as nossa promessas!!!

Ai! Ai! Ai!… que quase que me caia o cesto!

Vem muito ouro no desfile, os mordomos vão ajudando com os cestos, mas sempre com um olho no “peito” das pequenas, nunca se sabe, e os cordões já estão na família á muitas gerações.

Fazia parte da Comissão das Festas, mas não resistiu a transportar um cesto – Obrigado já deu para matar o bichinho…

Os noivos minhotos

Todos para a  Festa!!!

  Segura, segura …a rodilha saiu do sitio…

Só falta a ultima subida e chegamos… Já se vê a Igreja, deixa-me dar mais uma volta…

                

Cuidado com o degrau… Chegámos… cumpriu-se a promessa!!!

E os cestos são colocados no seu pedestal em oferenda á Senhora do Rosário

São lindos e a Senhora de certeza que agradece a oferenda!

                                                        

Cá fora continua a festa

O arraial vai animado, nós fomos jantar na autocaravana e preparámos um casaquinho que a noite arrefeceu um pouco, e não sabíamos se o festival de folclore era ao ar livre. Era no pavilhão e o festival saia para fora do palco… Haveria de acabar com todos os que quiseram a dançar no palco, uma despedida que deixa muitas saudades.

      

A Igreja enchia-se de fieis e curiosos, admirando a riqueza decorativa dos Cestos Votivos

São bordados com flores e folhas tudo preso com alfinetes num verdadeiro bordado, cada cesto pode levar milhares de alfinetes!!!

   

O dia terminaria com um fogo de artifício… todos os dias terminaram com um fogo de artifício!!!

O Domingo seria o dia da procissão, tomámos o pequeno almoço no Café Rosas, na rua da Igreja, curiosamente uma boa meia de leite e uma sandes de queijo, nem digo o preço, iria envergonhar os comerciantes da minha rua…

Assistimos á missa em que são benzidos os cestos, acendemos uma vela à Senhora do Rosário.

Fomos almoçar nas bancas da feira, para esquecer, comemos uma fartura e voltamos á Igreja onde se preparava a procissão.

E deu-se inicio á cerimonia religiosa…

      

 

      

O sorriso sempre fácil na cara das minhotas, emprestava ainda mais brilho ao património da família

       

Mais do que uma procissão era um evento festivo, pela cor, pelos Cestos Votivos, pela música e muito em especial pela forma alegre e despretensiosa com que todos participavam.

Uma ajuda para trocar a mordoma que transportaria o cesto.

Uma ultima volta á Igreja

E os cestos regressavam para dentro da Igreja

Terminava aqui o desfile, agradecimentos á Senhora por nenhum cesto ter caido durante o desfile, uma ultima foto para recordarmos…

E assim ficavam glorificados os muitos meses de trabalho que procederam toda a romaria, para o ano haverá nova festa, agora regresso a casa para trocar de vestido, cuidado com esse ouro aí ao pescoço…

A noite ainda oferecia mais divertimento

Um ultimo olhar ao adro da Igreja, agora quase deserto e regressámos á autocaravana para um merecido descanso.

Pensávamos começar a viagem de regresso logo pelo inicio da manhã, mas não resistimos, aguardámos que as portas da Igreja se abrissem para nos despedirmos da Romaria da Senhora do Rosário e dos Cestos Votivos. Havemos de voltar a Vila Franca Do Lima

Já na estrada reparámos que todos voltavam ás suas rotinas… mais um ano de trabalho, mas fica o arco festivo a lembrar as festas que passaram e as muitas que ainda virão.

No caminho do regresso a autocaravana parece que tinha vida própria… nós não queriamos… mas a “malandra”, foi direitinha ao parque de estacionamento da Meta dos Leitões.

Pronto tá bem… vamos lá ao leitão!

É de reparar que não há vinho em cima da mesa, quero dizer garrafa… apenas um copinho, que diabo o leitão com água até pode fazer mal!!!

O resto da viagem não tem história e em nós, apenas ficava uma certeza…

 

Havemos de voltar a Vila Franca do Lima!!!

 

 

FIM