VIAGEM AO SEIXAL (SETÚBAL)

VIAGEM AO SEIXAL    (SETÚBAL)

VIAGEM AO SEIXAL

(SETUBAL)

 

Nesta saída vamos percorrer os caminhos que nos levam à cidade do Seixal.  Não querer fazer muitos quilómetros, por indicação do Ministério das Finanças, e a vontade de reviver lugares da infância, levaram-nos a um fim de semana repleto de belas paisagens, cultura e gastronomia.

Passada a ponte 25 de Abril continuámos pela A2 até ao nó do Fogueteiro, onde seguimos as placas que indicam a direção do Seixal. Chegados ao destino o estacionamento não levanta problemas. São vários os locais que o possibilitam, mesmo para veículos de maior gabarito. Nós optámos pelo parque situado em frente da agência da CGD, junto ao rio onde passámos uma noite calma.

N 38° 38’ 40”

W 09° 06’  04”

Ao acordar, a janela da autocaravana emoldurava uma paisagem ribeirinha cheia de sol.

O último inverno tinha sido rigoroso e foi com verdadeiro prazer, que deixámos a autocaravana para tomar o pequeno almoço numa das esplanadas banhadas pelo Sol junto ao jardim, situado no núcleo urbano antigo perto do rio.

A cidade do Seixal desde sempre tem vivido virada para o rio, terá tido a sua origem, num pequeno núcleo piscatório que beneficiava da baía criada por um braço do Tejo, onde desagua o rio Judeu, dando origem ao sapal de Corroios, zona de reprodução de fauna marinha. A proximidade de grandes centros urbanos como o Barreiro, Almada e Lisboa, permitia que o tráfego fluvial se desenvolvesse, beneficiando das suas águas abrigadas e das correntes marinhas geradas pelas marés.

Dessa época são testemunhas os dois barcos tradicionais recuperados pela Câmara Municipal e que possibilitam fazer passeios turísticos no rio.

www.cm-seixal.pt

O homem sempre soube utilizar os recursos da natureza em seu proveito, no Seixal temos dois testemunhos do engenho humano nesta área… os moinhos de maré e as secas do bacalhau.

Podemos ver um moinho de maré mesmo defronte do Seixal. Beneficiavam da amplitude das marés que enchiam uma caldeira que se situava por detrás do edifício. Na maré baixa, faziam a água sair pelas condutas expostas na foto, onde estavam as moendas, que ao girarem acionavam as mós, onde se obtinha a farinha.

No ano de 1917 instalaram-se na Ponta dos Corvos, uma língua de areia que se situa defronte do Seixal, duas empresas ligadas a atividade da seca do bacalhau.

Aqui fica um link para á noite na autocaravana, pesquisar sobre todas estas histórias

https://www.google.pt/search?q=secas+do+bacalhau+seixal&ie=UTF-8&oe=UTF-8&hl=pt-pt&client=safari

Nós continuámos pelo passeio ribeirinho que circunda toda a baia e proporciona imagens que certamente vão encher os cartões de memória das vossas máquinas fotográficas.

A hora do almoço tinha chegado e, como não há fumo sem fogo, seguimos os sinais que saiam do grelhador do restaurante instalado na Sociedade Filarmónica Timbre Seixalense. Fundada em 1848 por operários da construção naval, tem um passado de cultura e recreio muito enriquecedor da região, mas também de petiscos, que têm feito o deleite de muitas gerações.

Escolhemos um lugar na esplanada com vista para o rio.

Havia que escolher o repasto e veio á memória o “Prato Oficial do Seixal”, chocos assados com tinta. Ou se gosta ou se detesta, nós adoramos!

Lá foram os ditos entregues aos técnicos que usaram de todo o seu saber na assadura.

Para evitar percalços, convém que se peça que os chocos sejam cortados na cozinha, depois só têm que ser temperados e saboreados.

Reconfortados e de bem com a vida, retomámos o passeio ribeirinho na direção da Arrentela.

Guardámos para o dia seguinte, a visita ao cacilheiro, que funciona como bar e que está por aqui ancorado. Se nos sentássemos já ninguém se levantava…

Passámos pelo Centro Cultural do Seixal ver o programa no site www.cm-seixal.pt. Será interessante conciliar esta visita com algum dos eventos de grande interesse cultural que por aqui acontecem.

O passeio ribeirinho funciona também como ciclovia, e aqueles que carregarem as bicicletas nas autocaravanas não se vão arrepender

 

Perto da Vila da Arrentela vamos encontrar o “Núcleo Naval da Arrentela”

Situado num antigo estaleiro de construção naval artesanal, faz parte do Ecomuseu do Seixal. É ainda possível ver no seu exterior uma antiga embarcação que aguardava a sua recuperação, quando foi maldosamente incendiada. Assim se perdeu património!

Este núcleo museológico apresenta uma exposição permanente sobre o património flúvio-maritimo do Estuário do Tejo.

Podem ser vistos modelos náuticos de embarcações tradicionais, que  certamente farão as delicias dos amantes do modelismo

Uma pequena oficina da “Carpintaria de Machado” permite compreender todo o processo de construção dos barcos de madeira tradicionais.

De realçar o “Muleta”, um barco que atravessava a barra do Tejo para lançar redes entre o Cabo da Roca e o Cabo Espichel, era utilizado pelos pescadores do Seixal, Moita e Barreiro.

Referida por Fernão Lopes na crónica de D. João I em 1364, a Arrentela foi o nosso destino desta tarde. Esta vila como que cresce do rio e culmina na sua igreja, apresenta características urbanas muito curiosas.

Debruçada sobre o esteiro do rio Judeu e rodeada de terrenos férteis, “Os Brejos”, terá sido habitada desde o inicio da nossa nacionalidade por populações que se dedicavam á pesca, construção naval e agricultura.

Junto ao rio encontramos um jardim, com um banco onde se podem ver imagens antigas da vila, registadas em azulejos

Imagem do coreto que terá existido no lugar do banco, e que faz parte das minhas memórias de infância.

Comparem esta imagem com a mostrada á saída do núcleo naval… podem ver parte do antigo estaleiro que lá existia

Continuamos a visita pela Arrentela. A sua estrutura urbana é muito interessante.  Vamos encontrando pequenos largos, ruelas, pátios interiores,  que mostram a sua origem medieval.

Chegamos à Igreja da Arrentela, dedicada a Nossa Senhora da Consolação, datada dos fins do séc. XV, tem um interior muito rico, onde predomina o barroco, como resultado das grandes obras de beneficiação que recebeu após o terramoto de 1755.

 

Para os mais curiosos aqui fica o site do “Igespar”, será útil para a interpretação da lápide que está sobre a sua porta. Também podem ficar a conhecer, a procissão que todos os anos aqui se realiza no dia 1 de Novembro, em agradecimento á Nossa Senhora da Soledade, pela graça de ter feito recuar as águas após o tsunami resultante do terramoto nesta data.

http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/72391/

O Mirador junto ao adro da Igreja, oferece uma vista fantástica sobre o rio e as localidades vizinhas. Ao fundo do Mirador está situado o centro de apoio a reformados, que possui um pequeno bar, onde se pode tomar algo refrescante beneficiando desta vista panorâmica. Continuamos a visita descendo na direção do rio.

       

 

Retomámos o passeio ribeirinho, agora no sentido do Seixal.

Encontramos a Quinta da Fidalga que faz parte do ecomuseu do Seixal. A sua fundação remonta ao séc. XV e é um exemplo das quintas agrícolas e de recreio da época.

Esta quinta está historicamente associada  a Paulo da Gama,

Irmão de Vasco da Gama, que se fixou no Seixal para poder acompanhar a construção das caravelas que haviam de os levar até á Índia. A existência dos moinhos de maré está ligada ás navegações destas caravelas, possibilitavam obter as farinhas que serviriam para a fabricação dos “biscoitos”, que tanta importância tinham na alimentação disponível nas naus.

O dia ia longo e foi já com a despedida do Sol, que regressámos à autocaravana para um reconfortante jantar e merecido descanso.

O estacionamento junto á esquadra da PSP do Seixal, proporcionava uma noite calma e foi sem sobressaltos, que acordámos de madrugada, com o barulho  de vozes….

Nada de importante… apenas um grupo de jovens que colocavam as suas canoas na água… o desporto por aqui começa cedo. Voltamos a adormecer e foi já em horas decentes que fomos comprar o pão. O local de estacionamento é muito agradável, junto ao rio em frente á esquadra da PSP e a 100m do mercado municipal.

Comprámos o pão na Pastelaria Xandite, localizada no Largo da Igreja. De regresso à autocaravana ficamos surpreendidos com a presença na água de pessoal com fatos de mergulho

Estavam na faina da apanha de bivalves… parece que as autoridades não apreciam esta atividade, mas nestes tempos a necessidade fala mais alto…

As refeições na autocaravana com as vistas para o rio são muito agradáveis, e foi já com o pequeno almoço tomado que fomos visitar a “Tipografia Popular A. Palaio, Lda.”, hoje constituída num espaço memória do ecomuseu. Neste espaço podemos conhecer as técnicas ligadas ao evento mais importante do período moderno, a impressão por tipos móveis,  inventado por Johannes Gutenberg

O Sr. Eduardo Palaio fiel depositante de artes tão vastas, é um comunicador por excelência, e é pelas suas palavras que viajamos pela história da impressão mecânica .

 

 

Durante uma hora andámos pelos saberes e memórias das artes gráficas tradicionais e foi já com amizade que nos despedimos do Sr. Palaio com a certeza de regressar.

 

À saída da Tipografia podemos observar um fontanário que durante décadas forneceu água á população. Obra do Estado Novo, hoje desativado, é ainda uma memória das atividades praticadas na região.

Tinha chegado a hora do almoço e muitas são as ofertas disponíveis na vila. Restaurantes com esplanadas, outros com salas no interior, mas em todos se podem encontrar peixe fresco e as especialidades locais.

O café foi tomado na Pastelaria onde tínhamos comprado o pão. Uns painéis com imagens antigas do Seixal tinham despertado a nossa curiosidade.

Das visitas que tínhamos selecionado para este passeio, ainda faltava uma, e foi para lá que nos dirigimos.

Núcleo Museológico da Mundet.

A Fábrica Corticeira da Mundet , que laborou entre  1905 e 1988, foi a maior unidade transformadoras de cortiça do país. Chegou a empregar mais de 3000 operários. Uma das distrações que tínhamos em miúdos no Seixal, era ir assistir á saída dos operários…

Esta fábrica foi uma das mais inovadoras do seu tempo, tanto no desenvolvimento das técnicas da transformação da cortiça, como na proteção social dos seus empregados. Na visita um dos primeiros edifícios que se visitam, é a antiga creche, na altura um modelo na área do cuidar da infância.

Nesta visita ficamos a conhecer os aspectos relacionados com a preparação e a transformação da cortiça.

Passámos o resto da tarde percorrendo as ruas do Seixal.

No emaranhado medieval da urbe, fomos descobrindo a sua ligação aos vários ofícios praticados ao longo de séculos pela sua população.

Neste passeio pelo Seixal, o rio exerce uma atração constante e foi por unanimidade, que decidimos terminar este deambular, no antigo cacilheiro ancorado em frente à Fábrica da Mundet .

Já foi um restaurante, hoje funciona como bar e pode ser alugado para eventos festivos.

A companhia da imperial neste fim de tarde, ajudou a lembrar tudo o que tínhamos visto e a ter a certeza que iríamos voltar, pois o Seixal guarda muito mais para ser descoberto.

FIM

 

 

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