VIAGEM PELA REGIÃO CENTRO

VIAGEM PELA REGIÃO CENTRO

VIAGEM PELA REGIÃO CENTRO

COIMBRA – ANADIA  

LUSO – BUSSACO

LORVÃO – PORTO DE MÓS

Como autocaravanistas, não é só o destino que nos motiva para viajar. Percorrer estradas já conhecidas e procurar novos motivos de interesse, são quase sempre o prazer que se obtem em cada viagem. Não temos de marcar alojamentos, nem estamos preocupados em chegar a horas a qualquer restaurante, deixamos que a curiosidade ou a disposição do momento sejam os nossos guias em cada saída.

O tempo no Norte estava de feição, seria pela A1 que iniciaríamos esta viagem, saída em Aveiras, e pouco depois já estávamos a estacionar na área de serviço da Batalha. Um frango comprado na churrasqueira “O Churrasco” muito perto, junto á Casa do Benfica, serviu para a primeira refeição. A qualidade satisfaz e os preços são a contento. Esplanada da “Pastelaria Oliveira” junto ao Mosteiro, para o café e pastel de nata, um pequeno passeio em redor do monumento e regresso á estrada.

                       

Coimbra foi a próxima paragem, no Parque Verde do Mondego, não é uma área de serviço para autocaravanas, mas quase.

N 40° 11’ 58´´

W 08° 25´44´´

Na margem esquerda do rio Mondego, junto ao centro náutico, o parque de estacionamento com piso estabilizado, possibilita uma estadia agradável,  está localizado muito perto da cidade, existe uma ponte pedonal que permite o acesso ao centro de Coimbra.

Um ponto de água e um tubo de esgoto, servem para as mudanças técnicas, para alguma compra de ultima hora, ou um lanche com uma vista fantástica sobre a cidade e o rio, procurar a “roulotte de cachorros” do Sr. Campos, também ele um companheiro das lides autocaravanistas, e que cuida do bom estado do serviço de apoio ás autocaravanas.

Ficámos por ali á conversa, petiscou-se algo e depois de uma “mine”, fomos passear até á cidade.

A tarde estava a terminar e deixamos a baixa da cidade onde os Coimbrãos, na sua azafama de regresso a casa, ainda faziam algumas compras no mercado tradicional e fomos percorrer as ruas do bairro Alto, ou como é mais conhecido a Alta de Coimbra. Ao percorrer as suas vielas, pátios e travessas, reconhecemos aquela que foi considerada a “colina sagrada”, onde se terão fixado as primeiras populações que a habitaram, possivelmente os Celtas, beneficiando das potencialidades defensivas que a zona oferecia. Por aqui viveram muitas gerações de povos e ao contemplarmos aquelas fachadas hoje tão decrépitas, não podemos deixar de relembrar o livro  do Trindade Coelho, “In Illo Tempore” que foi o primeiro contacto que tivemos com a vida estudantil de Coimbra.

                            

Fomos lembrando a capa e batina,  os namoros de estudante, as serenatas, a cabra, as perseguições aos caloiros, que não tinham autorização para andar a altas hora pelas ruas, as repúblicas e as muitas anedotas sobre a vida de estudante em Coimbra, que Trindade Coelho tão bem descreve neste livro.

Nestes tempos em que as praxes, andam pelas capas de jornais, e não pelos melhores motivos, convinha que lessem este livro hoje possivelmente incorreto, mas que certamente dará uma perspetiva diferente e cómica, sobre esta vida Coimbrã que se perdeu.

Nós regressámos á autocaravana para o jantar e uma noite tranquila.

Amanheceu um dia de Sol, que convidava a usar o parque para um passeio matinal

Por perto fica o Queimódromo…

O Largo da Portagem, com o Hotel Astória, e o Edifício do Banco de Portugal, são o centro da baixa de Coimbra, todas as visitas á cidade começam por aqui e depois segue-se a rua Ferreira Borges, com as suas pastelarias e comercio tradicional, um pouco mais á frente a praça do Comercio, com a Igreja românica votada a São Tiago e poderíamos começar a visita por aqui mas…

Encaminhámo-nos para a Alta

Ao encontro da Porta Férrea, local de entrada na Universidade de Coimbra.

Esta Universidade fundada em Lisboa em 1290, foi transferida para Coimbra em 1537, é uma das mais antigas da Europa. Foi instalada no Paço Real, local onde já os romanos teriam edificado o pretoriumo, vindo depois a ser Alcáçova árabe, que ocuparia o espaço com uma configuração geométrica igual á atual. A Porta Férrea construída no século XVII, continuou a marcar o local de entrada já usado durante a ocupação árabe. Com este nome, devido a um portão de ferro que possui, merece a nossa atenção pela estatuaria que apresenta e pelo simbolismo universitário a que está ligada.

A Torre tem no seu interior, os sinos que regulam o funcionamento ritual da Universidade, sendo o mais conhecido, o que dá pelo nome de “a Cabra”

A Biblioteca Joanina ocupa um lugar de destaque no espaço universitário,  inicialmente chamada “Casa da Livraria” foi uma encomenda do Rei D. João V.

A fachada terminada por volta de 1720 simbolizando um arco de triunfo, parece glorificar não só a sabedoria, mas também o esplendor artístico que estas paredes encerram.

Já considerada pelo jornal britânico The Telegraph, como a mais espetacular do mundo, merece uma demorada visita, com o apoio da documentação turística, fornecida pelos serviços da universidade aquando da compra do ingresso.

Este deve ser comprado, antes de se passar a Porta Férrea, no edifício da universidade, está bem sinalizado.

As pinturas dos tetos as estantes, as talhas douradas, e muito especialmente o acervo bibliográfico, deslumbram nesta visita. Ao sair não deixem de visitar a prisão académica, instalada no edifício e as muitas histórias a ela ligadas.

Regressámos ao Paço das Escolas, datado do século X.

D. Afonso Henriques, fez dele o primeiro paço real, e por aqui devem ter nascido todos os reis da primeira dinastia.

Um espaço onde o poder político deu lugar ao poder do conhecimento e sabedoria.

Que bons exemplos podemos receber dos fundadores da pátria.

Tivemos o privilegio de assistir á cerimonia da Abertura Solene das Aulas, que se realiza na Sala dos Capelos, ou a Grande Sala dos Actos.

Os doutores com a Borla (pequeno chapéu que simboliza a inteligência) e o Capelo (pequena capa de seda e veludo que simboliza a ciência), ambos com a cor da faculdade, que lhes outorgou o grau académico, emprestavam toda a solenidade a este acto.

Antiga Sala do Trono do Paço Real da Alcáçova, tem nas suas paredes, memórias de muitos episódios do inicio da História de Portugal. Ficámos a assistir ás cerimonias, e ao ouvir as complicações com que a educação se depara nestes tempos que vamos vivendo, não pudemos deixar de refletir sobre todas as dificuldades de formação do reino de Portugal, e que agora parece termos perdido a vontade de o continuar a engradecer.

Fomos visitar as antigas aulas da universidade

                                                         

Das varandas do edifício é possível ver as paisagens de Coimbra

Regressámos ao Paço das Escolas pela Via Latina e decidimos continuar a nossa visita pela cidade, despedimo-nos da universidade saindo pela Porta Férrea, na companhia dos doutores que tinham terminado a sessão solene, e com as caixas onde guardam a borla, certamente se dirigiam para as suas aulas…

                   

 

Deixámos os edifícios da universidade, e descemos as Escadas Monumentais para nos dirigirmos á baixa de Coimbra.

        

Fomos visitando a cidade, passamos pelo mercado… que pena edifícios como estes estarem quase abandonados…novos métodos de consumo… serão melhores?

Estava na altura de reconfortar o físico…

Estávamos no Jardim da Manga. E o restaurante com vista para esta fonte construída no século XVI, foi o poiso escolhido.

Parece que D. João III, terá ido visitar o Mosteiro de Santa Cruz que aqui existia, e ao deparar-se com este espaço que estava vazio, terá desenhado na manga do seu gibão esta fonte e o jardim, daí o seu nome…

O café já foi tomado num dos cafés da baixa, um pequeno repouso e fomos visitar o Mosteiro de Santa Cruz. Encerra a sepultura de D. Afonso Henriques e D. Sancho I, seus fundadores no ano de 1131, na época Manuelina foram feitas intervenções que o tornam um dos principais monumentos artísticos e históricos do pais.

http://www.visitcentrodeportugal.com.pt/pt/mosteiro-de-santa-cruz-de-coimbra

                                                                      

Continuámos o passeio pelas ruas da baixa, tem uma grande concentração de comercio tradicional, e ainda podemos encontrar aquelas lojas que á muito se perderam nas grandes cidades…

                                                                    

O passeio levou-nos até á Sé Velha de Coimbra

Edificada durante o reinado de D. Afonso Henriques, num local onde desde o século III, terá existido um templo com a invocação a Mariae Virginis, ostenta o titulo de “A Catedral mais Portuguesa de Portugal”.

Depois da vitória na Batalha de Ourique, o nosso primeiro rei, financia a construção de uma catedral nova por a anterior estar em muito mau estado. Poucas serão sempre as linhas de escrita que aqui possa usar, para descrever este monumento, venham fazer uma visita, agora até os claustros estão de novo abertos ao publico, e munidos de literatura explicativa, maravilhem-se na contemplação do  mais importante edifício em estilo românico do nosso pais.

                                                                           

http://www.regiaocentro.net/lugares/coimbra/monumentos/sevelha.htm

Coimbra está classificada como Património da Humanidade, as suas ruas , praças e vielas que descem pela encosta até á baixa, merecem uma visita demorada.

A divisão entre Alta e Baixa, tem origem no século XII, pois os nobres  e o clero, mais tarde os estudantes, viviam na parte Alta. e na parte Baixa, situavam-se os comerciantes, agricultores e artesãos, ocupando os bairros ribeirinhos.

Hoje a Chamada Alta está a ficar muito degradada e merecia mais atenção por parte da edilidade, até se deve ter algum cuidado na ostentação de objetos de valor, fomos chamados por alguns residentes idosos, que nos alertavam para termos cuidado com a maquina fotográfica… nunca se sabe, diziam eles.

Algum bom senso e cuidado, e podemos passear calmamente por estas ruas, muitos são os motivos de interesse…

Ainda se encontram alguma Repúblicas (residências de estudantes).  Existem desde 1309, quando D. Dinis mandou construir casas para albergar estudantes dos ensinos superiores. A partilha da responsabilidade do espaço e da vida comunitária, com ideais universais e a exaltação da democraticidade viria a criar o espírito das “Repúblicas de Estudantes”

Muito ficará por se visitar em Coimbra, mas esperamos que outras visitas nos levem de novo por estas ruas e continuemos a descobrir tudo o que a cidade de Coimbra tem para oferecer. Estava na altura de regressar á autocaravana para o jantar…

Amanheceu mais um dia de Sol, e tanta alegria merecia que fossemos visitar o Museu do Vinho na Anadia

O estacionamento é amplo e não levanta problemas, mesmo a autocaravanas de maiores dimensões, uma agradável recepção com pessoal simpático, e começámos a visita.

Com um espolio maioritariamente do fim do século XIX e século XX, leva-nos numa viagem pela produção do vinho, muito especialmente sobre os vinhos da Bairrada.

Os meios audiovisuais completam as peças expostas e vamos percorrendo os trabalhos de campo, os lagares, e a fase de engarrafamento dos vinhos, muito especialmente os produzidos com o método Champanhês trazidos para Portugal pelo Eng. Tavares da Silva.

A produção de vinho na região da Bairrada está documentada desde o período romano, mas é na Idade Média que mais referencias aparecem, muitas são as vicissitudes que a produção destes vinhos tem enfrentado ao longo dos séculos, mas hoje com novas tecnologias e métodos que vão de encontro aos gostos atuais, está de boa saúde e merecem ser experimentados. Pela nossa parte fazemos o esforço…

Uma curiosa exposição de saca-rolhas, considerada entre as 50 mais importantes do mundo completam a exposição permanente.

Uma exposição sobre a realidade do fado e uma sala sobre Amália Rodrigues, a sua vida e obra, onde se podiam ver objetos do seu quotidiano, completaram a visita desta manhã.

                                   

Estava na hora do almoço, suspeitamos que algum problema mecânico deve existir na nossa autocaravana, ao passar pela zona da Mealhada, não sei se é do piso da estrada, ou mesmo da direção, mas o veiculo começa a dirigir-se para a berma e o motor a falhar…  tem mesmo de se parar no parque do Restaurante Meta e deixar a autocaravana descansar um pouco, enquanto nós vamos ver como está o leitão a sair dos fornos..

E lá tivemos de nos sacrificar…

Tanto esforço merecia uma agradável descanso, e que melhor localidade podia oferecer esse repouso… só mesmo o Luso.

Foi o nosso destino dessa tarde. As ruas sinuosas da vila devem ser feitas com cuidado, mas procurando bem, encontramos sempre um lugar para o estacionamento. Usando de descrição estacionámos junto á Igreja Matriz do Luso.

N  40° 23´ 09´´

W 08° 22´ 44´

O resto da tarde foi passado num agradável passeio pelas ruas do Luso

Conhecida pela pureza das suas águas termais, vocacionadas no tratamento das doenças renais e da pele, esta vila tem sido objeto de intervenção urbanística, de forma a proporcionar melhores acessos e bem estar a quem a visita.

Fomos aproveitando os últimos raios de Sol, nos aprazíveis parques existentes na vila.

O jantar foi numa das esplanadas junto á fonte das onze bicas ou de S. João.

A tarde ia terminando e uma noite tranquila, preparou-nos para as aventuras do dia seguinte.

Parte da manhã foi passada descobrindo os palacetes que se escondem estre o verde da serra, a arte nova do Casino, o Hotel das Termas e as muitas “Vilas” que se vão mantendo melhor ou pior, ao sabor das possibilidades dos seus proprietários.

Segundo nos informaram no posto de turismo a origem do Luso vem de 1064, onde aparece mencionada em documentos medievais com o nome de “Vila”, pertencendo ao abade Noguram, tendo sido posteriormente doada ao Mosteiro de Vacariça. Muitas mudanças administrativas se passaram, e hoje é uma estância termal de renome mundial. Junto á fonte das Onze Bicas, onde se veem encher os garrafões de plástico para o abastecimento particular de água, existe uma capela dedicada a S. João Evangelista do século XVIII.

Almoço na autocaravana e partimos para a mata do Bussaco. Estacionámos junto á entrada do parque florestal, porque a ideia era percorrer a pé, as veredas deste património verde.

                                              

Imóvel de Interesse Publico, merece uma viagem apenas para se descobrir as riquezas que encerra, para além do manto vegetal e das espécies animais que estão a ser constantemente estudadas, o património edificado é surpreendente, a Via Sacra, as ermidas de habitação, capelas de várias devoções, as fontes, especialmente a Fonte Fria com uma escadaria monumental… o melhor será virem descobrir toda a riqueza que esta serra encerra. Junto da Fundação Mata do Bussaco, podem obter todas as informações necessárias.

http://www.fmb.pt

No interior desta luxuriante mata aparece Um Palácio Real… Projeto de Luigi Manini, cenógrafo italiano, que usando o neo-manuelino e neo-renascença, desenhou um pavilhão para uso real, que mais tarde se transformaria no “Palace Hotel do Bussaco” , uma obra feérica envolta num manto verde, que o seu restaurante e a garrafeira própria, por onde se podem encontrar os lendários vinhos do Bussaco, proporciona um encontro entre o espírito e o físico… experiencia a não perder… pelo menos uma vez…

                         

O dia terminou por aqui… regressámos á Vila do Luso, ao nosso lugar de estacionamento, e certamente ficámos a sonhar com reis e princesas… que mais se pode esperar, quando se passa um dia numa mata real…

Na manhã seguinte regressamos á realidade, o pão foi comprado numa loja de mercearia junto ás Termas e depois do pequeno almoço tomado, estava na altura de continuar a viagem.

O destino seguinte seria a Vila de Lorvão e o seu Mosteiro.

O parque de estacionamento junto á área de serviço para autocaravanas, pode ser uma boa opção.

Perdida entre lendas e neblinas da história, se encontra a data da fundação do Mosteiro do Lorvão, parece que existem testemunhos de cronistas monásticos e pedras incrustadas na torre dos sinos, que permitem situar pelo século sexto, a primeira fixação de religiosos neste lugar.

As netas de D. Afonso Henriques, D. Teresa e D. Sancha levaram a cabo uma grande reforma pelo ano de 1205. A sua fama levou-as ao altar em 1705, aquando da sua canonização. Esta reforma criou em Portugal, a primeira comunidade feminina da ordem de Cister.

Todo o desenvolvimento medieval e moderno desta freguesia de Penacova, está ligado á importância monástica deste convento. Uma pequena ribeira separava a urbe da vida religiosa, não hoje, porque apenas existe um monumento de grande importância histórica, e á muito que a antiga religiosa abandonou a vida espiritual e física neste local. A vila com o fim do hospital psiquiátrico, que havia sido instalado no antigo convento, vem perdendo muita da sua importância como comunidade.

Na sua longa história contam-se muitos momentos de grande fervor religioso e esplendor artístico, mas também muitas foram as perturbações que sofreu, algumas de carácter religioso interno, outras por razões externas como as invasões francesas, ou a revolução liberal, que viria em 1820 a provocar a decadência irremediável da comunidade religiosa.

A visita acompanhada pelo solicito guia, leva-nos por incontáveis tesouros do nosso património cultural, desde a estatuaria, talha, pintura, cerâmica, mobiliário, e muito mais, tudo merecedor do nosso interesse.

                             

http://lazer.publico.pt/monumentos/6608_mosteiro-de-lorvao

Deixamos o mosteiro com a sensação que não estamos a valorizar um dos maiores factores de desenvolvimento do país, o turismo cultural, muitas das peças estão mal acondicionadas, e outras merecem um cuidado de técnicos competentes com muita urgência!!!

Uma fábrica pode ser construída em qualquer altura, uma peça histórica que se perde, não se pode repor…Tudo é importante, e devia ser do equilíbrio nos vários factores de desenvolvimento, que se encontraria uma sociedade mais coerente.

Na pastelaria em frente da porta do Mosteiro podemos encontrar alguma doçaria que procura manter as receitas conventuais.

Outra curiosidade é a produção dos “Palitos”, originalmente feitos pelas freiras para decorar os bolos e os doces, mais tarde passaram a ser feitos pelas criadas das religiosas, e a tradição de produção dos palitos tem sido mantida até hoje.

A viagem de regresso a casa tinha de ser iniciada, viemos pelo vale do Mondego até Coimbra e o destino seguinte foi a vila de Porto de Mós.

Muitas paragens pelo caminho. A saborear todos os recantos que a estrada nos oferecia, Pombal, Leiria… e a chegada a Porto de Mós foi já noite fechada.

Existe uma área de serviço no parque verde da cidade… estava um pouco isolado e optamos pelo local onde é costume estacionar a autocaravana, quando por aqui pernoitamos.

N 39° 36´01´´

W 08° 49´17´

Amanheceu mais um bonito dia de Sol, este Outono tem sido quente, pequeno almoço tomado, vamos visitar a vila…

É uma localidade muito simpática  e merece a nossa visita, não só pelo castelo apalaçado, mas muito em especial pela simpatia das suas gentes. O potencial turístico do concelho é enorme, grutas, uma calçada romana, o campo militar de São Jorge e mais que merece ser descoberto, começámos pelo moderno posto de turismo, onde recebemos documentação sobre o que iriamos visitar.

Pelourinho e Igreja de São Pedro do século XVII que estava integrada no Convento dos Agostinhos descalços que por aqui estiveram até 1834.

Agora seria sempre a subir até ao castelo.

Praça da República, com uma bonita calçada á portuguesa.

O Museu do Município fica situado por debaixo da praça

Guarda a pré-história e história dos mais de 150 milhões de anos  desta região.

Um rico acervo etnográfico pode ser visitado, contando a vivencia dos habitantes de Porto de Mós.

O Museu está em reestruturação, e procura com a ajuda de fundos comunitários, melhorar as condições de exposição, possivelmente com a mudança de instalações.

Posto de vigia romano, depois fortaleza árabe comandada pelo rei Gámir de Mérida, até que 1148 D. Afonso Henriques com o auxilio de D. Fuas Roupinho expulsou os sarracenos destas paragens.

 

O castelo de Porto de Mós possui características arquitectónicas singulares.

Recebendo grandes benefícios no reinado de D. Dinis que lhe concederia foral em 1305, foi por este rei oferecido á Rainha D. Isabel, mostrando a importância da vila por esta altura.

Depois de o guardião Sr. Marco, ter encontrado a chave da porta do castelo, podemos apreciar as suas formas apalaçadas.

Foi de grande importância na Batalha de Aljubarrota, tendo D. João I e D. Nuno Alvares Pereira, aqui pernoitado na noite anterior á batalha.

Com a morte de D. João I, ficou pertença da dinastia de Bragança, que lhe modificou a estrutura medieval, vindo a dar-lhe uma forma mais palaciana.

O sismo de 1755 destruiu grande parte da estrutura do castelo. Só as intervenções de 1936 e 1999, lhe viria a restituir o esplendor de outrora.

Em conversa com alguém que por ali passava, sobre um restaurante que possibilitasse uma refeição agradável, logo nos foi apontado na colina em frente uma ermida e um moinho, ali vai encontrar um bom restaurante!

  • Mas aquilo fica longe…
  • Não, pode vir aqui por um caminho mais curto, são só 10 minutos e não precisa de ir muito apressado… olhe! Venha que eu mostro-lhe o caminho!

São estas companhias que nos… “fazem ganhar os dias”!

E assim se foi por aqueles caminhos, falando de tudo o que nos veio á memória e nem sabemos quanto tempo demorou…

O restaurante lá estava a “Tasca de São Miguel”, comandado pela Dª.. Fernanda, que veio da Golegã para estas paragens e pela simpatia logo nos convenceu…

Temos poucos pratos mas tudo é fresco, não temos comida requentada…

– Para hoje Sopa de Pedra e espetadas feitas por nós… não se vão arrepender!

Pois não!!! Tudo estava do melhor, tivemos mesmo de pedir, para levar a terrina da sopa para dentro… senão era impossível provar a espetada.

Valeu a pena guardar um espaço para a espetada, o preço da refeição foi mais do que correto… 10€ por pessoa!

Tem espaço á porta para se poder estacionar várias autocaravanas…será uma escolha para próxima viagem. Não é nosso habito, mas como têm música pela noite e ambiente familiar, aqui fica a morada:

Tasca de São Miguel

Rua de São Miguel, 15  2480-308 Porto de Mós

Telf. 919217960

Fomos descendo na direção do centro , sempre com a vista para o castelo por companhia. E o jardim foi o pretexto para uma pausa e…

uma conversa com o Eng. João Salgueiro, presidente da edilidade, e amante de fotografia, o livro é mais um manual para ser lido sobre esta arte.

A conversa seguiu por muitos caminhos de vida e deu para perceber que os autocaravanistas são bem vindos por estas paragens. De conversa fácil e simpático o Sr. Presidente reforçou os laços de afabilidade que já tínhamos criado com Porto de Mós.

A cadeira pendurada na árvore, tudo revestido a croché, é uma instalação feita pela terceira idade de Porto de Mós, que mostra a integração desta faixa da população, no quotidiano da vila.

No café do parque, ficámos mais um pouco a saborear o fresco da sombra das frondosas árvores, pagámos a conta, olhámos para uma painel de azulejos que mostra a vila no fim do século XIX, regressámos á autocaravana e durante a viagem até casa, fizemos o deve e haver de mais esta saída, de facto como pensei no inicio… mais do que os destinos é a viagem que me dá prazer.

Até uma próxima saída, aí por uma dessas estradas…

 

FIM

 

 

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